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Agência Correio
Publicado em 4 de janeiro de 2026 às 11:00
A África vive uma mudança que acontece abaixo da superfície e desafia a percepção humana. Pesquisadores confirmam que o continente está se fragmentando aos poucos, em um processo que pode resultar em um novo oceano. >
O fenômeno ocorre no Sistema de Rift da África Oriental e envolve o afastamento gradual de grandes placas tectônicas, segundo estudos citados pela revista National Geographic e instituições científicas.>
Embora leve milhões de anos para se completar, a separação já produz sinais claros no terreno. Fissuras, terremotos e mudanças no relevo revelam uma transformação em curso.>
Oceano
A fratura teve início na região de Afar, no norte da Etiópia, há cerca de 30 milhões de anos. Desde então, essa abertura se mantém ativa, expandindo-se lentamente pelo interior do continente.>
O avanço ocorre em direção ao sul, alcançando áreas próximas ao Zimbábue. A velocidade média é de poucos centímetros por ano, suficiente para gerar grandes mudanças ao longo de extensos períodos geológicos.>
Essa dinâmica integra o Sistema de Rift da África Oriental, uma extensa zona de falhas tectônicas que atravessa países como Etiópia, Quênia, Tanzânia, Uganda, Malawi e Moçambique.>
A causa da ruptura está na divisão da Placa Africana em duas subplacas. A maior, chamada Núbia, permanece mais estável, enquanto a Placa Somali se afasta gradualmente para leste.>
Pesquisadores explicam que forças internas da Terra impulsionam esse movimento. A dinâmica do manto e o deslocamento de materiais aquecidos sob a crosta criam tensões constantes.>
Lucia Perez Diaz, geóloga do Royal Holloway College, disse ao site The Conversation que "a atividade existente ao longo do ramo oriental do Vale do Rift se tornou evidente quando a grande fissura apareceu repentinamente no sudoeste do Quênia".>
Em 2005, um episódio chamou atenção da comunidade científica. Uma fenda de 60 quilômetros se abriu rapidamente no oeste da Etiópia, deslocando o solo em poucos minutos.>
O evento reacendeu o debate sobre a possibilidade de aceleração do processo. Estudos mais recentes indicam que o norte do sistema apresenta taxas mais rápidas de separação.>
Lucia Pérez Díaz afirma que “ao longo de dezenas de milhões de anos, o fundo do mar avançará por toda a extensão da fenda”. Quando isso ocorrer, um novo oceano tomará forma.>
Para a humanidade, a mudança parece distante. No entanto, na escala do planeta, a África já iniciou uma transformação sem retorno, que seguirá moldando a Terra por milhões de anos.>