Cadastre-se e receba grátis as principais notícias do Correio.
Agência Correio
Publicado em 4 de janeiro de 2026 às 09:00
Durante séculos, uma árvore enfrentou o clima extremo das montanhas norte-americanas sem jamais ser notada. Sua longevidade parecia inabalável, até que uma decisão científica interrompeu uma história que atravessava milênios. >
Conhecido como Prometeu, o pinheiro bristlecone foi derrubado em 1964, em um episódio que se tornaria referência mundial sobre ética e preservação ambiental.>
O caso ganhou notoriedade não apenas pela idade da árvore, mas pelo impacto duradouro que causou nas regras de pesquisa científica e proteção da natureza.>
Pando, a árvore considerada um dos seres vivos mais antigos e pesados do mundo
O Prometeu crescia em uma região isolada do Wheeler Peak, em Nevada, onde poucas espécies conseguem sobreviver. O frio intenso e a falta de água ajudaram a moldar sua resistência extrema.>
Seu crescimento lento funcionava como estratégia de sobrevivência. Ao avançar centímetro por centímetro, a árvore preservava recursos e se adaptava às mudanças ambientais ao longo do tempo.>
Muito antes das grandes civilizações, o pinheiro já existia. Sua presença silenciosa acompanhou quase toda a trajetória da humanidade sem jamais ser percebida.>
Em meados dos anos 1960, Donald Rusk Currey estudava anéis de crescimento de árvores antigas. Naquele período, a ciência ainda não impunha limites claros à intervenção em espécies raras.>
Uma versão afirma que o instrumento usado para coleta de amostras ficou preso no tronco, tornando inevitável o corte completo.>
Outra explicação aponta a necessidade de analisar toda a seção do tronco. O fato é que havia autorização oficial e nenhuma suspeita sobre a idade extraordinária do Prometeu.>
O impacto real surgiu depois. Ao analisar os anéis, Currey percebeu que havia derrubado uma árvore com cerca de cinco mil anos de existência.>
Mais tarde, ele reconheceu que sabia que o pinheiro era antigo, mas jamais imaginou sua dimensão histórica. A revelação provocou indignação e reflexão.>
O episódio escancarou a ausência de protocolos adequados e reforçou a urgência de repensar a relação entre ciência e preservação.>
O fim do Prometeu se transformou em símbolo. A partir dele, árvores antigas passaram a receber proteção mais rigorosa em diversos países.>
Hoje, o caso é lembrado como uma lição permanente. Ele mostra que a busca pelo saber precisa caminhar junto com o respeito ao tempo da natureza.>
Mesmo derrubado, o Prometeu continua ensinando que certos erros não podem ser desfeitos, apenas compreendidos.>