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Fuja da tsé-tsé: a picada da mosca que pode levar ao sono profundo e até a morte

Transmitida pela mosca tsé-tsé, a doença do sono segue como um desafio para a ciência e ainda ameaça populações na África

  • Foto do(a) author(a) Agência Correio
  • Agência Correio

Publicado em 28 de dezembro de 2025 às 07:00

A picada dessa mosca provoca uma dor extrema
A picada dessa mosca provoca uma dor extrema Crédito: Freepik

A mosca tsé-tsé está longe de ser apenas um inseto incômodo. Sua picada é agressiva e dolorosa, já que, ao contrário do mosquito comum, ela possui estruturas serrilhadas na boca que rompem a pele para alcançar o sangue.

O maior risco, no entanto, não está na dor momentânea, mas na transmissão da doença do sono, nome popular da Tripanossomíase Humana Africana. Trata-se de uma infecção grave causada por parasitas do gênero Trypanosoma e que pode levar à morte se não for tratada adequadamente.

Mosca tsé-tsé está longe de ser apenas um inseto incômodo por Reprodução | Internet

Tipos do parasita e evolução da infecção

Duas variantes são responsáveis pela doença em humanos. A Trypanosoma brucei gambiense responde por cerca de 95% dos casos e é mais comum na África Ocidental, com evolução lenta. Já a T. b. rhodesiense, menos frequente, é mais agressiva e pode causar a morte em poucos meses.

Nos estágios iniciais, os sintomas costumam ser genéricos, como febre, dores musculares e dor de cabeça, o que dificulta o diagnóstico precoce. Com o avanço da infecção, surgem sinais neurológicos, incluindo sonolência intensa, confusão mental, mudanças de comportamento e dificuldades motoras.

É justamente esse quadro de fadiga progressiva que dá nome à doença.

Avanços no controle e riscos invisíveis

O número de casos caiu de forma expressiva ao longo do último século. No início dos anos 1900, centenas de milhares de pessoas eram infectadas anualmente. Dados da Organização Mundial da Saúde indicam que, em 2009, os registros ficaram abaixo de 10 mil, e em 2015, caíram para menos de 3 mil.

Mesmo com essa redução, especialistas alertam que a subnotificação ainda é um problema, especialmente em áreas rurais e de difícil acesso, o que dificulta a erradicação completa da doença.

O que a ciência vem descobrindo

Estudos recentes mostraram que o parasita é mais sofisticado do que se pensava. Uma pesquisa publicada em 2016 revelou que ele não se limita ao sangue, podendo permanecer também na pele e no tecido adiposo.

“Achamos que a pele é, portanto, um reservatório escondido da infecção”, afirmou Annette MacLeod, da Universidade de Glasgow, no Reino Unido, à BBC. Segundo a pesquisadora, isso explica como pessoas sem sintomas aparentes podem continuar transmitindo a doença.

Outro obstáculo é a habilidade do parasita em escapar do sistema imunológico. Em 2014, Etienne Pays, da Universidade de Bruxelas, classificou esse embate como uma “corrida armamentista”. Ele explicou à BBC que a apolipoproteína L1, uma proteína humana, já foi eficaz contra formas antigas do parasita, mas que as cepas atuais evoluíram para driblar essa defesa.

Pesquisas mais recentes também mudaram a compreensão da progressão da doença. Antes dividida em duas fases, hoje os cientistas reconhecem três estágios distintos.

Michael Duszenko, da Universidade de Tübingen, na Alemanha, explicou à BBC que o parasita pode permanecer por longos períodos em uma fase intermediária, liberando substâncias que induzem o sono e retardam a invasão do cérebro.

Um desafio que persiste

Mesmo com novos medicamentos em desenvolvimento, a doença do sono ainda é classificada como negligenciada, recebendo pouco investimento da indústria farmacêutica.

Ainda assim, pesquisadores acreditam que desvendar os mecanismos do parasita pode levar a tratamentos mais seguros e eficazes. Embora menos frequente do que no passado, a doença segue como um alerta constante sobre infecções tropicais e a importância da vigilância contínua.