Cadastre-se e receba grátis as principais notícias do Correio.
Fernanda Varela
Publicado em 3 de janeiro de 2026 às 16:39
Prestes a concluir uma jornada iniciada em 1998, o britânico Karl Bushby, de 56 anos, vive a apreensão de não conseguir vencer o último obstáculo de sua travessia a pé ao redor do mundo. Depois de percorrer cerca de 58 mil quilômetros caminhando por diferentes continentes, o ex-paraquedista depende agora de uma autorização para atravessar o Eurotúnel e chegar finalmente à Inglaterra.>
Bushby partiu do Chile com destino final em Hull, no norte da Inglaterra, comprometido a não usar nenhum meio de transporte mecanizado durante todo o percurso. As regras que ele próprio estabeleceu ao iniciar a aventura impedem o uso de balsas ou trens, o que torna a travessia do Canal da Mancha um dos maiores dilemas de toda a jornada.>
Karl Bushby
Atualmente na Hungria, ele aguarda a resposta das autoridades responsáveis pelo túnel de serviço do Eurotúnel. Caso o pedido seja negado, a alternativa extrema seria atravessar o Canal da Mancha a nado. “Ainda não entramos em contato oficialmente. Tenho uma carta pronta para enviar, só preciso encontrar a pessoa certa”, afirmou à imprensa britânica. O aventureiro diz estar confiante, mas admite a incerteza. “Não sei o quão difícil será conseguir essa permissão.”>
Travessias extremas já marcaram a jornada>
Ao longo de quase três décadas na estrada, Karl Bushby enfrentou desafios considerados improváveis. Para contornar restrições geopolíticas, nadou mais de 270 quilômetros pelo Mar Cáspio, em uma travessia que durou 31 dias entre o Cazaquistão e o Azerbaijão. Também precisou enfrentar trechos gelados do Estreito de Bering, ligando a Ásia à América do Norte.>
Apesar da experiência com águas abertas, a possibilidade de cruzar o Canal da Mancha não o tranquiliza. “É um tipo diferente de água, muito mais fria. Espero nunca ter que pensar seriamente nisso”, disse, em tom de brincadeira, ao afirmar que nadar seria a última opção.>
Ao se aproximar do destino final, Bushby reconhece que o encerramento da caminhada traz sentimentos mistos. “É assustador. O propósito da minha vida nos últimos 27 anos vai acabar de forma abrupta”, afirmou. Segundo ele, a jornada lhe deu uma visão ampla das culturas ao redor do mundo e mostrou que, apesar das diferenças aparentes, a receptividade entre os povos foi uma constante.>
Com a chegada iminente à Inglaterra e à casa da mãe, o aventureiro admite que o maior desafio pode começar após o fim da caminhada. “Tenho algumas ideias para o futuro, mas ainda não sei como será a vida fora da estrada”, disse. Depois de quase três décadas em movimento, Karl Bushby se prepara para enfrentar uma etapa inédita, a de parar.>