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Café mais caro do mundo saem das fezes do jacu e pode custar R$ 1 mil o quilo

Do campo à exportação, grãos selecionados pela natureza ganham status de luxo e atraem paladares exigentes

  • Foto do(a) author(a) Agência Correio
  • Agência Correio

Publicado em 26 de fevereiro de 2026 às 20:00

Ave Jacu
A ave consome justamente os grãos mais maduros, aqueles que o produtor esperou meses para colher. Cada aparição significava perda direta na safra Crédito: RONALDO DOS SANTOS SOUZA/Wikimedia Commons

O que durante anos significou prejuízo na lavoura hoje representa uma oportunidade milionária. Em áreas montanhosas do Sudeste, produtores brasileiros transformaram fezes de uma ave nativa em um dos cafés mais caros e curiosos do mundo.

Batizado de café do jacu, o produto surge de um processo natural e artesanal. O pássaro se alimenta dos grãos maduros, que passam pelo seu sistema digestivo e, depois, chegam à xícara com status de iguaria gourmet.

O método incomum, aliado à raridade, ajuda a explicar o preço elevado e o interesse crescente no exterior.

Café por Shutterstock

Diferencial competitivo

Por décadas, o jacu foi visto como ameaça nas plantações. A ave consome justamente os grãos mais maduros, aqueles que o produtor esperou meses para colher. Cada aparição significava perda direta na safra.

Com o tempo, alguns agricultores notaram que os grãos ingeridos eram eliminados praticamente intactos.

Além disso, o rápido processo digestivo alterava características químicas e sensoriais do café.

O que parecia apenas dano passou a ser oportunidade. A presença dos jacus nas fazendas deixou de ser sinal de prejuízo e se tornou indicativo de potencial para produzir um café raro, de sabor distinto e alto valor agregado.

Natureza como guia

Diferentemente de outros cafés exóticos, o brasileiro depende exclusivamente do ambiente natural.

As aves vivem soltas na Mata Atlântica e escolhem espontaneamente os frutos que consomem, sem interferência humana.

Os jacus preferem os grãos mais vermelhos e maduros, especialmente no inverno, quando há menos frutas disponíveis na floresta.

Após a digestão, os produtores recolhem manualmente os “cafezes” espalhados pelo terreno.

Essas sementes passam por lavagem, secagem, higienização e torra, em um processo cuidadoso e demorado.

Produto de alto valor

A produção limitada, condicionada ao comportamento das aves e à coleta manual, influencia diretamente o preço. O café do jacu se tornou item de luxo.

Com isso, uma saca de 60 quilos pode alcançar valores elevados, podendo superar R$ 1 mil, enquanto pequenas embalagens custam várias vezes mais do que cafés especiais tradicionais. 

O produto encontra forte aceitação na Europa e entre apreciadores de cafés raros.

Para esse público, a bebida representa não apenas consumo, mas também curiosidade gastronômica e símbolo de exclusividade.

Com origem improvável, o café do jacu exemplifica como um antigo problema da lavoura pode se transformar em oportunidade de alto valor no mercado

Tags:

Ciência