Cadastre-se e receba grátis as principais notícias do Correio.
Giuliana Mancini
Publicado em 12 de maio de 2026 às 07:20
O cantor e compositor Ed Motta passou a ser investigado por injúria por preconceito após uma confusão registrada no restaurante Grado, no Jardim Botânico, Zona Sul do Rio de Janeiro, na madrugada do último dia 2 de maio. O caso foi registrado na 15ª DP (Gávea) e envolve acusações de ofensas xenofóbicas contra funcionários do estabelecimento, além de relatos de tumulto, arremesso de objetos e agressões entre clientes. >
Segundo depoimentos prestados à Polícia Civil, a discussão começou após um desentendimento envolvendo a taxa de rolha, valor cobrado por restaurantes quando clientes levam vinhos próprios para consumo no local. Na ocasião, Ed Motta estava acompanhado de amigos e o grupo teria levado sete garrafas de vinho ao restaurante, das quais cinco foram consumidas. A conta ultrapassou R$ 7 mil.>
Vídeo mostra Ed Motta arremessando cadeira em restaurante no Rio de Janeiro
Funcionários relataram que o artista se irritou após a cobrança da taxa. Segundo os depoimentos, Ed Motta começou a insultar o barman da casa, que teria sido alvo preferencial das ofensas, após uma conversa entre clientes e funcionários do restaurante. Ele teria dito: "Vai tomar no c* seu filho da put* paraíba".>
Ainda conforme o relato apresentado às autoridades e divulgado pelo RJ2, da Globo,, um dos homens que acompanhavam o cantor, identificado como Nicholas Guedes Coppim, também teria constrangido o funcionário ao questioná-lo em tom irônico: "Você gosta de mulher?".>
Na sequência, Ed teria continuado os ataques verbais. "Olha, o babaca está rindo. Nunca vi esse babaca rindo. Está sempre de mal com a vida, esse paraíba", teria dito o cantor, segundo o relato entregue às autoridades. >
Em seguida, Ed teria colocado uma taça de vinho sobre o balcão e afirmado: "Vou embora antes que eu faça alguma coisa com um desses paraíbas". Ao deixar o local, o artista teria continuado os ataques verbais: "Cambada de paraíba" e, virando-se novamente para o funcionário e repetindo: "Vai tomar no c* seu filho da put* paraíba".>
O caso foi enquadrado como injúria por preconceito, prevista no artigo 2º-A da Lei 7.716/89, além de injúria comum. A pena prevista para o crime é de um a três anos de reclusão.>
O proprietário do restaurante também prestou depoimento e afirmou que episódios semelhantes já teriam ocorrido anteriormente. Segundo ele, no ano passado, Ed Motta teria enviado um áudio se referindo ao mesmo funcionário como "paraíba filho da put*". O material foi entregue à polícia.>
O empresário afirmou ainda que o funcionário já havia relatado provocações anteriores feitas pelo cantor "em tons homofóbicos" quando ele frequentava o estabelecimento acompanhado de amigos.>
Após a confusão, novos áudios atribuídos ao artista também teriam sido enviados ao dono do restaurante. Em um dos trechos mencionados no depoimento, Ed Motta teria afirmado: "Aquele garçom que eu já havia reclamado hoje, eu desci o sarrafo porque um amigo meu fez uma pergunta para ele e ele não respondeu. Eu falei que ele era assim mesmo, ele é um babaca que não responde".>
A defesa de Ed Motta informou, em contato com o jornal O Globo, que "em nenhum momento houve agressão por parte dele contra qualquer pessoa no episódio do restaurante no Rio de Janeiro". O artista reconheceu que "deixou o local indignado em razão do atendimento que recebeu" e as imagens demonstram "de forma inequívoca" que ele "não teve qualquer participação nos eventos em apuração", uma vez que "já havia saído do estabelecimento", encerra a nota.>
Ed Motta teria feito as ofensas durante confusão envolvendo ele próprio e amigos dentro do restaurante. O episódio terminou em tumulto generalizado, com agressões físicas, arremesso de objetos e um cliente ferido na cabeça após ser atingido por uma garrafa de vinho.>
A discussão teria começado após o grupo questionar a cobrança de taxa de rolha, valor pago para consumir vinhos levados pelos próprios clientes. De acordo com os responsáveis pelo Grado, o cantor normalmente não paga taxa de rolha quando frequenta o restaurante sozinho, como forma de cortesia. Mas, segundo o jornal O Globo, ele saberia que a cobrança é aplicada quando está acompanhado e, mesmo assim, reagiu de maneira agressiva.>
Em nota, os donos do restaurante, Nello Garaventa e Lara Atamian, já haviam afirmado que houve "condutas discriminatórias" durante a confusão. "As agressões incluíram xingamentos, referências pejorativas à origem nordestina, além de insinuações sobre orientação sexual e vida privada".>
Segundo testemunhas e imagens analisadas pela investigação, uma cadeira teria sido arremessada no salão pelo cantor. Uma pessoa que estava em uma mesa vizinha teria sido atingida por uma garrafa de vinho e também levado um soco durante a briga. Nesse caso, a polícia investiga possíveis agressões físicas praticadas por integrantes do grupo que acompanhava o artista.>
Em entrevista ao jornal O Globo logo após o episódio, o cantor admitiu ter perdido o controle durante a discussão, mas negou ter atacado funcionários do restaurante. "Aconteceu um problema, mas a história não está bem contada. Infelizmente, toda a confusão começou comigo. Fiquei irritado e me descontrolei. Eu estava bêbado e joguei uma cadeira no chão, mas não joguei uma cadeira em direção ao funcionário. Jamais. Não foi jogado nada em direção a ninguém. As câmeras de segurança podem provar isso".>
A investigação da 15ª DP apura dois possíveis crimes separadamente. No caso relacionado às agressões físicas contra clientes, Ed Motta aparece como testemunha. Já na apuração envolvendo injúria por preconceito, ele é tratado como investigado.>
Segundo informações da investigação, o cantor deve prestar depoimento nesta terça-feira (12), após informar anteriormente que estava viajando quando foi intimado pela polícia.>
O advogado de Nicholas Guedes Coppim, apontado nos depoimentos como um dos integrantes do grupo envolvido na discussão, afirmou que seu cliente está à disposição das autoridades. Já a defesa de Diogo Couto, outro citado no caso, declarou repudiar qualquer ato de violência.>