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Conhecida por formar 8 mil escritores, editora LGBT+ lança romance autoral; confira

Flávia Iriarte, celebra o Mês do Orgulho com o lançamento de 'Instruções para desaparecer devagar'

  • Foto do(a) author(a) Ana Beatriz Sousa
  • Ana Beatriz Sousa

Publicado em 10 de junho de 2026 às 10:56

Flávia Iriarte
Flávia Iriarte Crédito: Divulgação

Durante mais de 15 anos, a carioca radicada em Brasília atuou nos bastidores do mercado editorial: fundou a Editora Oito e Meio, orientou mais de 8 mil escritores e coordenou pós-graduação em Escrita Criativa. Agora, no Mês do Orgulho LGBT+, ela inverte os papéis e assume o papel de romancista.

Sua estreia no gênero ocorre com o livro 'Instruções para desaparecer devagar' (Editora Faria e Silva). A obra lança uma provocação incômoda diretamente ao leitor: até que ponto a consciência do privilégio social gera mudanças reais ou se resume a uma mera culpa mal resolvida? O ponto de partida da narrativa tem raízes em uma experiência pessoal de Flávia que muitas mulheres conhecem bem: o medo constante da violência iminente, disparado após se hospedar em uma pousada 'caindo aos pedaços' e sem trancas na porta durante uma viagem ao Camboja em 2016.

Capa do livro 'Instruções para desaparecer devagar', de Flávia Iriarte por Divulgação

A trama central acompanha Alice, uma jovem branca sufocada pela culpa de ser rica, e Bárbara, sua colega de classe vinda da periferia. O que era para ser uma viagem de férias bancada pelo pai de Alice, sob o pretexto de uma "reparação social" simbólica, desanda em um suspense psicológico sufocante e violento que muda o destino de ambas. A autora desconstrói o conceito idealizado de sororidade para mostrar que a barreira de classe, gênero e raça cria abismos gigantescos mesmo entre mulheres. "Uma mulher pobre enfrenta desafios totalmente diferentes de uma mulher rica", provoca a escritora.

Com uma escrita intencionalmente direta, seca e contida, influenciada pelo cinema tenso de Michael Haneke e a prosa de J.M. Coetzee, a autora faz questão de pontuar que ser "mulher" esconde nuances brutais. Afinal, as urgências de uma mulher pobre e negra diferem drasticamente das vivências de uma mulher branca e rica. 

Para ela, o topo do mercado editorial brasileiro ainda está concentrado nas mãos de poucas famílias ricas e tradicionais do eixo Rio-São Paulo. Lançar seu romance por uma casa independente seria sua forma de descentralizar esse poder.

Tags:

Romance Livro Flávia Iriarte