Cadastre-se e receba grátis as principais notícias do Correio.
Fernanda Varela
Publicado em 3 de fevereiro de 2026 às 13:19
Uma história que circula nas redes sociais voltou a chamar atenção ao relatar o nascimento de um bebê negro filho de uma mulher branca. A situação, registrada em vídeos e publicações que rapidamente se espalharam, provocou surpresa e acusações de traição antes mesmo de qualquer apuração. O caso reacende um debate recorrente, é possível que isso aconteça do ponto de vista científico?>
De acordo com geneticistas brasileiros, embora incomum, a situação é biologicamente possível. A cor da pele humana não é determinada por um único gene, mas por um conjunto de genes herdados ao longo de gerações. Esse tipo de herança é conhecido como poligênico, o que significa que características podem permanecer inativas por décadas e se manifestar apenas quando determinadas combinações genéticas ocorrem.>
10 benefícios do leite materno para os bebês
O geneticista Sérgio Pena, professor da Universidade Federal de Minas Gerais e referência em estudos de genética populacional no Brasil, já explicou em pesquisas e entrevistas que a aparência física não é um indicador confiável da ancestralidade genética. Estudos conduzidos pelo grupo do pesquisador mostram que brasileiros classificados como brancos frequentemente apresentam porcentagens significativas de ancestralidade africana e indígena em seu DNA, resultado da intensa miscigenação histórica do país.>
Levantamentos publicados em revistas científicas e divulgados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo apontam que não há correspondência direta entre cor da pele e composição genética. Em outras palavras, pessoas de pele clara podem carregar genes associados à pigmentação mais escura sem que isso tenha se manifestado nelas ou em gerações recentes da família.>
Segundo explicações de especialistas da área de biologia e genética, como as reunidas em materiais educativos de instituições brasileiras, essa herança genética pode se expressar de forma mais evidente em filhos, mesmo quando os pais não apresentam características físicas semelhantes. Por isso, a aparência isolada não é suficiente para tirar conclusões sobre a origem genética de uma criança.>
Apesar da explicação científica, casos como esse costumam ganhar versões distorcidas nas redes sociais. Sem exames genéticos, prontuários médicos ou informações familiares completas, vídeos curtos e relatos incompletos alimentam conclusões precipitadas. Especialistas reforçam que apenas testes de DNA podem confirmar vínculos biológicos ou esclarecer situações desse tipo.>