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Ana Beatriz Sousa
Publicado em 3 de fevereiro de 2026 às 13:07
Bad Bunny não escolhe roupas apenas para compor um visual estiloso, ele usa a moda como linguagem, identidade e manifesto cultural. Prova disso veio à tona em uma entrevista especial concedida à Vogue Brasil e à GQ Brasil, publicada nesta segunda-feira (2), que acabou rendendo uma revelação cheia de afeto e nostalgia envolvendo o Brasil. >
Durante o editorial, o cantor porto-riquenho apareceu vestindo um conjunto marrom da Mondepars, grife brasileira comandada por Sasha Meneghel. O detalhe curioso? Bad Bunny só descobriu a origem da marca depois e se mostrou visivelmente encantado ao saber que a estilista é filha de Xuxa, um nome que, segundo ele, marcou sua infância em Porto Rico.>
Nos anos 1990, período em que Benito Antonio Martínez Ocasio crescia na ilha caribenha, Xuxa vivia o auge de sua carreira internacional. Com programas exibidos em espanhol e discos voltados para o público latino, a Rainha dos Baixinhos atravessou fronteiras e chegou a lares porto-riquenhos. "Ela fez parte da minha infância", revelou o artista, em tom nostálgico.>
A conexão emocional ficou ainda mais forte quando Bad Bunny percebeu que, sem saber, estava vestindo uma criação assinada pela filha daquele ícone que o acompanhou quando criança. O momento simboliza exatamente o que o cantor busca transmitir: encontros culturais, memória afetiva e identidade latino-americana. >
Reconhecido como um dos artistas mais bem-vestidos de 2025 pela Vogue norte-americana, Bad Bunny construiu uma trajetória fashion marcada por ousadia, cores vibrantes, misturas improváveis e acessórios chamativos. Mas ele próprio admite que seu estilo mudou, assim como ele.>
“Antes, eu usava coisas mais loucas. Eu era mais jovem, tinha muita coisa passando pela minha cabeça. As roupas transmitiam rebeldia. Eu ainda estava me encontrando como ser humano”, contou, refletindo sobre sua evolução pessoal e estética.>
Vestindo marca de Sasha, Bad Bunny diz que Xuxa fez parte de sua infância
Essa maturidade também se reflete em escolhas simbólicas, como no Met Gala 2025, quando surgiu usando um chapéu inspirado nos jíbaros, trabalhadores rurais de Porto Rico que usam sombreros para se proteger do sol durante as colheitas. Para o cantor, o gesto foi um resgate histórico e político.>
“Nós seguimos sendo jíbaros. São pessoas que trabalham a vida inteira para manter o país de pé, enquanto outros se beneficiam desse esforço. Resgatar essa estética é resgatar quem somos”, afirmou.>
Além da moda, Bad Bunny também falou sobre um sonho antigo: conhecer o Brasil. Segundo ele, o interesse pelo país vem desde a infância, impulsionado pela música, pela cultura e até pelo impacto do filme de animação Rio. “Sempre sonhei em visitar o Brasil. É um dos poucos lugares para onde ainda não fui”, confessou.>
Vencedor do Grammy de Álbum do Ano e de Álbum de Música Urbana, o artista desembarca em São Paulo nos dias 20 e 21 deste mês com a turnê mundial “DeBí TiRaR MáS FOToS”.>