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Agência Correio
Publicado em 16 de janeiro de 2026 às 18:00
Uma injeção experimental propõe atacar tumores sólidos sem retirar células do paciente. A ideia é transformar células de defesa que já vivem no tumor em combatentes anticâncer dentro do próprio organismo.>
Desenvolvida por pesquisadores do KAIST, a técnica reprograma macrófagos e tenta contornar barreiras que dificultam a imunoterapia em larga escala. Com isso, busca um salto em velocidade e simplicidade.>
O caminho é direto: levar instruções ao microambiente tumoral para acionar uma resposta imune mais eficiente. Assim, o método reduz etapas e pretende ganhar agilidade no combate ao câncer.>
Câncer de pele
O sistema usa nanopartículas lipídicas com duas “cargas”. Uma delas é mRNA com instruções para reconhecer o câncer, enquanto a outra contém um composto capaz de ativar o sistema imunológico.>
Após a aplicação, as partículas são absorvidas pelos macrófagos presentes no tumor. Em seguida, elas induzem a produção de proteínas que ajudam a identificar e atacar células cancerígenas.>
Nesse processo, os macrófagos mudam de papel e viram “CAR-macrófagos aprimorados”. A proposta é agir de dentro para fora e transformar um terreno hostil em cenário favorável ao combate.>
"Este estudo apresenta um novo conceito de terapia com células imunológicas que gera células imunes anticâncer diretamente dentro do corpo do paciente", afirmou o professor Ji-Ho Park, do KAIST.>
Tumores sólidos, como os de estômago, pulmão e fígado, criam estruturas densas que atrapalham a entrada e o desempenho de células imunes. Por isso, travam parte das estratégias atuais.>
Mesmo quando conseguem engolfar células cancerígenas, os macrófagos podem ser “desligados” pelo tumor. Como resultado, a resposta fica enfraquecida exatamente onde deveria ser mais forte.>
Em terapias com CAR-macrófagos, é comum extrair células do sangue, cultivar, modificar geneticamente e reinfundir. Em geral, isso encarece, demora e dificulta escalar para muitos pacientes.>
Ao reprogramar as células no corpo, a técnica do KAIST elimina etapas e mira dois gargalos. Assim, busca entregar o “recado” com eficiência e resistir ao ambiente imunossupressor do tumor.>
Em testes com animais com melanoma, o crescimento tumoral diminuiu de forma significativa. Além disso, os macrófagos modificados apresentaram maior capacidade de eliminar células cancerígenas.>
Os pesquisadores também viram sinais de ativação imunológica ao redor do tumor tratado. Isso indica uma resposta que pode ir além do alvo, embora ainda esteja em fase inicial.>