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Agência Correio
Matheus Ribeiro
Publicado em 30 de março de 2026 às 17:30
Roma e Pompeia ajudam a explicar, ainda hoje, um problema que parece muito moderno: o excesso de embalagens descartáveis. Escavações e análises arqueológicas mostram que os romanos já lidavam com montanhas de cerâmica quebrada, reaproveitamento de entulho e descarte em larga escala. >
O que chama atenção é que, em meio ao lixo, surgiu uma lógica prática. Em Pompeia, restos de obras viravam matéria-prima para novas construções. Em Roma, milhões de ânforas descartadas formaram uma colina que atravessou os séculos. >
Mais do que curiosidade histórica, esse passado revela uma pergunta incômoda: se uma civilização antiga já precisou criar soluções para o descarte, o que o presente ainda pode aprender sobre consumo, reaproveitamento e logística reversa? >
Itália
Em Pompeia, arqueólogos identificaram pilhas de resíduos acumulados ao lado dos muros da cidade. Durante muito tempo, a explicação mais aceita dizia que aquilo era apenas entulho deixado por um terremoto ocorrido anos antes da erupção do Vesúvio. >
Mas a leitura do material mudou. Amostras de solo e a localização dos depósitos indicaram que parte daquele descarte seco, com tijolos, telhas e cacos de cerâmica, havia sido separada para reaproveitamento em novas obras. >
A conclusão dá outra dimensão ao tema. “Descobrimos que parte da cidade foi construída com lixo”, disse Allison Emmerson, em entrevista para a Revista Galileu. Em outra fala, a pesquisadora resumiu a lógica local: “o lixo estava sendo coletado e separado para reciclagem”. >
Se Pompeia mostra o reaproveitamento do entulho, Roma revela o tamanho do descarte. O Monte Testácio é uma colina artificial de cerca de 35 metros, formada ao longo de séculos por fragmentos de ânforas usadas no transporte de azeite.>
Cerca de 53 milhões de ânforas se acumularam na região sul da capital romana. Como esses recipientes carregavam resíduos de óleo e cheiro forte, não eram considerados adequados para reciclagem da mesma forma que outros materiais.>
Ainda assim, o descarte seguia uma lógica organizada. As peças eram quebradas, empilhadas em camadas e tratadas com calcário para reduzir cheiro e umidade.>