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O que os lixões romanos têm a ensinar sobre a cultura do delivery atual

Escavações em Pompeia e o Monte Testácio mostram que o descarte de embalagens já desafiava cidades antigas

  • Foto do(a) author(a) Agência Correio
  • Foto do(a) author(a) Matheus Ribeiro
  • Agência Correio

  • Matheus Ribeiro

Publicado em 30 de março de 2026 às 17:30

O Monte Testácio virou prova material de como o Império Romano consumia, descartava e organizava resíduos Crédito: Wikimedia Commons/Tyler Bell

Roma e Pompeia ajudam a explicar, ainda hoje, um problema que parece muito moderno: o excesso de embalagens descartáveis. Escavações e análises arqueológicas mostram que os romanos já lidavam com montanhas de cerâmica quebrada, reaproveitamento de entulho e descarte em larga escala.

O que chama atenção é que, em meio ao lixo, surgiu uma lógica prática. Em Pompeia, restos de obras viravam matéria-prima para novas construções. Em Roma, milhões de ânforas descartadas formaram uma colina que atravessou os séculos.

Mais do que curiosidade histórica, esse passado revela uma pergunta incômoda: se uma civilização antiga já precisou criar soluções para o descarte, o que o presente ainda pode aprender sobre consumo, reaproveitamento e logística reversa?

A Itália encanta com suas belas paisagens (Imagem: DaLiu | Shutterstock) por

A "cultura do descartável" na Antiguidade

Em Pompeia, arqueólogos identificaram pilhas de resíduos acumulados ao lado dos muros da cidade. Durante muito tempo, a explicação mais aceita dizia que aquilo era apenas entulho deixado por um terremoto ocorrido anos antes da erupção do Vesúvio.

Mas a leitura do material mudou. Amostras de solo e a localização dos depósitos indicaram que parte daquele descarte seco, com tijolos, telhas e cacos de cerâmica, havia sido separada para reaproveitamento em novas obras.

A conclusão dá outra dimensão ao tema. “Descobrimos que parte da cidade foi construída com lixo”, disse Allison Emmerson, em entrevista para a Revista Galileu. Em outra fala, a pesquisadora resumiu a lógica local: “o lixo estava sendo coletado e separado para reciclagem”.

Monte Testácio: o lixão que virou monumento

Se Pompeia mostra o reaproveitamento do entulho, Roma revela o tamanho do descarte. O Monte Testácio é uma colina artificial de cerca de 35 metros, formada ao longo de séculos por fragmentos de ânforas usadas no transporte de azeite.

Cerca de 53 milhões de ânforas se acumularam na região sul da capital romana. Como esses recipientes carregavam resíduos de óleo e cheiro forte, não eram considerados adequados para reciclagem da mesma forma que outros materiais.

Ainda assim, o descarte seguia uma lógica organizada. As peças eram quebradas, empilhadas em camadas e tratadas com calcário para reduzir cheiro e umidade.