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'Parece que o mundo vai acabar': vinheta do Plantão da Globo quase não foi ao ar

Trilha criada em apenas um dia virou um dos sons mais reconhecidos da televisão brasileira e se transformou em símbolo de notícias urgentes

  • Foto do(a) author(a) Fernanda Varela
  • Fernanda Varela

Publicado em 21 de maio de 2026 às 15:45

Plantão da Globo
Plantão da Globo Crédito: Reprodução

Poucos sons da televisão brasileira causam tanto impacto imediato quanto a famosa vinheta do Plantão da Globo. Nesta quinta-feira (21), o sinal sonoro mais conhecido do jornalismo da TV completa 35 anos cercado de curiosidades, bastidores e uma revelação surpreendente: a trilha quase não foi ao ar porque foi considerada “assustadora demais”.

Criada no início dos anos 1990, a vinheta nasceu da ideia de dar identidade única às interrupções de programação da emissora em casos de notícias urgentes. A missão foi entregue pelo então diretor da Globo, José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, ao maestro carioca João Nabuco, que tinha apenas 25 anos na época.

Cauã Reymond e Bella Campos por Reprodução/TV Globo

O detalhe curioso é que toda a trilha foi produzida em um único dia, no estúdio montado na casa do músico. “Gravei todos os instrumentos. Peguei sintetizador, bateria eletrônica, fiz samplers e misturei tudo sozinho”, relembrou Nabuco.

Apesar do resultado histórico, nem todos aprovaram a criação logo de cara. Segundo Boni, o designer Mauro Borja Lopes, conhecido como Borjalo, acreditava que a combinação da música com os microfones girando na tela transmitia tensão excessiva. “Parece que o mundo vai acabar”, teria dito o designer na época, preocupado com a reação do público.

Mesmo assim, Boni aprovou imediatamente a versão criada por João Nabuco e decidiu não ouvir outras propostas.

A inspiração para o Plantão veio do rádio. Boni contou que queria reproduzir na televisão o mesmo impacto emocional que sentia quando criança ao ouvir o “Repórter Esso”, famoso radiojornal que interrompia a programação durante a Segunda Guerra Mundial.

A identidade visual também ajudou a transformar a vinheta em um ícone da cultura pop brasileira. Hans Donner foi o responsável por criar os microfones girando ao redor do planeta, símbolo que passou a representar momentos de urgência nacional.

Desde então, os poucos segundos da trilha se tornaram sinônimo de notícias históricas, tragédias, mortes de personalidades e acontecimentos de grande repercussão.

Com o passar dos anos, a vinheta ultrapassou o jornalismo e ganhou espaço na cultura da internet. Hoje, o áudio é usado em memes, vídeos humorísticos e até em situações cotidianas compartilhadas nas redes sociais.

Mesmo após mais de três décadas, a Globo mantém a essência original da vinheta. Para João Nabuco, mexer no som seria arriscado. “Talvez perdesse a identidade”, afirmou o compositor.