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Pesquisadores reintroduzem tartarugas‑gigantes na Ilha de Galápagos após 150 anos e resultado surpreende

Após quase 150 anos, retorno dos animais pode transformar o equilíbrio ecológico local

  • Foto do(a) author(a) Agência Correio
  • Agência Correio

Publicado em 4 de março de 2026 às 12:00

Reintrodução de 158 tartarugas marca início de plano para recuperar espécie extinta na ilha
Reintrodução de 158 tartarugas marca início de plano para recuperar espécie extinta na ilha Crédito: putneymark/Wikimedia Commons

Depois de quase um século e meio desaparecidas, as tartarugas-gigantes voltaram a percorrer a Ilha Floreana, no arquipélago das Ilhas Galápagos. A soltura de 158 animais juvenis reacende uma história interrompida no século 19 e abre um novo capítulo para a biodiversidade local.

O projeto pretende levar até 700 exemplares à ilha nos próximos anos. Com idades entre 8 e 13 anos, os animais passaram por quarentena rigorosa e receberam chips de identificação antes da transferência, garantindo monitoramento contínuo.

Para autoridades ambientais, o retorno vai muito além de um gesto simbólico. As tartarugas desempenham papel-chave na dispersão de sementes e na regeneração da vegetação, funções essenciais para restaurar o equilíbrio natural de Floreana.

Tartaruga que viveu mais de 40 anos em cativeiro chega ao Brasil por Divulgação

Reconstrução de uma linhagem perdida

As tartarugas reintroduzidas carregam entre 40% e 80% do material genético da Chelonoidis niger, espécie que habitava a ilha até desaparecer. O objetivo é que, ao longo das gerações, a população recupere características cada vez mais próximas da linhagem original.

O desaparecimento ocorreu após séculos de pressão humana. A introdução de mamíferos invasores, a caça associada à atividade baleeira, incêndios e a exploração direta da ilha contribuíram para a extinção local desses gigantes.

Criados em uma instalação do Parque Nacional de Galápagos, os juvenis selecionados possuem forte vínculo genético com os antigos habitantes da ilha. O governo aposta que o repovoamento permitirá reconstruir, gradualmente, o perfil histórico da população.

Gigantes que moldam a paisagem

Pesquisas indicam que o arquipélago abriga atualmente 13 espécies vivas de tartarugas em diferentes ilhas. Algumas podem ultrapassar 250 quilos, transformando-se em verdadeiros engenheiros do ecossistema ao modificar o ambiente por onde passam.

Além do tamanho impressionante, a longevidade chama atenção. O indivíduo mais velho já registrado viveu cerca de 175 anos, o que significa que decisões tomadas hoje podem influenciar a paisagem por séculos.

Ao se alimentar, esses animais espalham sementes e abrem clareiras naturais, permitindo o crescimento de novas plantas. Sem eles, a vegetação tende a se tornar menos diversa, afetando toda a cadeia ecológica da ilha.

Adaptação sob vigilância

A soltura ocorreu durante o período de chuvas sazonais, considerado ideal para aumentar as chances de sobrevivência. Com mais água e alimento disponíveis, os juvenis enfrentam condições menos adversas no início da vida em liberdade.

Em Floreana, as tartarugas passam a compartilhar o território com uma pequena comunidade humana e espécies nativas. No entanto, animais invasores continuam sendo um desafio constante para a conservação.

Reconhecidas como Patrimônio Mundial pela UNESCO, as Galápagos ficam a cerca de mil quilômetros da costa do Equador e são famosas pela biodiversidade única. Agora, com os passos lentos das tartarugas de volta ao solo, a ilha ensaia recuperar um passado que parecia perdido.