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Por que é impossível mexer os dedos dos pés um de cada vez como os chimpanzés?

Ao longo da evolução, humanos trocaram “dedos agarradores” por pés estáveis e eficientes na marcha

  • Foto do(a) author(a) Agência Correio
  • Agência Correio

Publicado em 9 de janeiro de 2026 às 13:00

A diferença entre pés e mãos envolve músculos compartilhados, tendões longos e menos neurônios para os dedos dos pés
A diferença entre pés e mãos envolve músculos compartilhados, tendões longos e menos neurônios para os dedos dos pés Crédito: Unsplash

Chimpanzés resolvem muita coisa com os pés, e isso chama atenção de quem observa de perto. Eles usam os dedos dos pés para segurar objetos, apoiar o corpo e até manipular itens como se estivessem com as mãos livres.

Em um fim de semana recente, no zoológico de Knoxville, um chimpanzé macho chamado Ripley mostrou essa habilidade na prática. Ele recolheu comida e, depois, prendeu os pés em mangueiras e brinquedos no recinto.

Fortalecimento dos pés por Shutterstock

O efeito é inevitável: a gente compara com o próprio corpo. “Confesso que fiquei com um pouco de inveja.” Só que o pé humano virou outra coisa ao longo do tempo, e essa diferença tem motivo.

O pé humano foi moldado para equilíbrio

Humanos e chimpanzés são primatas e parentes genéticos próximos, com quase 98,8% do DNA em comum. Ainda assim, a nossa linhagem se adaptou à locomoção bípede, o que mudou a função do pé.

Ao caminhar sobre duas pernas, os pés passaram a sustentar todo o peso e a estabilizar o corpo. Por isso, a prioridade virou evitar quedas e manter o equilíbrio, e não agarrar objetos com os dedos.

Com o tempo, mexer cada dedo separadamente se tornou menos relevante do que ter um apoio firme. Assim, os dedos dos pés perderam destreza individual em troca de eficiência para caminhar e correr.

Marina Ruy Barbosa por Reprodução/Instagram

Enquanto os pés viraram suporte, as mãos ganharam espaço para tarefas finas. Elas passaram a ter papel central no uso de ferramentas e em atividades que exigem controle preciso, como escrever e digitar.

Mesmo com estruturas parecidas, com cinco dedos e tendões conectados aos ossos, mãos e pés foram adaptados para objetivos distintos. Essa diferença se traduz na maneira como cada dedo se movimenta no dia a dia.

Na mão, os dedos fazem ajustes rápidos e independentes. No pé, os dedos ajudam a estabilizar o corpo e a impulsionar a marcha, o que explica por que eles se comportam mais como um conjunto.

Músculos do pé trabalham para a marcha, não para a pinça

O pé humano contém 29 músculos que atuam juntos para caminhar e equilibrar o corpo. A mão tem 34 músculos, e esse conjunto extra ajuda a sustentar movimentos delicados e controlados.

No pé, muitos músculos permitem apontar os dedos para baixo ou levantá-los, além de rolar levemente para dentro e para fora. Esses ajustes finos são úteis em terrenos irregulares e na estabilidade do corpo.

Assim, o sistema privilegia controle do apoio e segurança. Já a pinça e o “agarrar” ficam para as mãos, que foram especializadas para movimentos de precisão em tarefas do cotidiano.

O dedão do pé funciona como peça de impulso ao caminhar. Por isso, ele possui músculos extras específicos para empurrar o corpo para a frente, o que aumenta a eficiência da marcha.

Os outros quatro dedos não têm músculos próprios individuais. Músculos maiores na planta do pé e na panturrilha movem esses dedos simultaneamente, o que reduz a capacidade de mexer um por um.

Além disso, tendões longos da panturrilha chegam ao pé e são mais úteis para equilíbrio e caminhada do que para movimentos pequenos. Isso ajuda a entender por que “falta” precisão nos dedos dos pés.

O cérebro prioriza dedos das mãos

A diferença também aparece no córtex motor, região do cérebro que envia sinais de movimento. Ele dedica muito mais neurônios ao controle dos dedos das mãos do que ao dos dedos dos pés.

Com mais neurônios, a mão recebe instruções detalhadas e rápidas, o que permite movimentos delicados. Já o pé opera com controle suficiente para marcha e equilíbrio, que são suas funções essenciais.

“Por que as pessoas não conseguem usar os pés assim, agarrando coisas com os dedos dos pés com a mesma rapidez e facilidade com que usamos os dedos das mãos?” Porque o corpo investiu em outro tipo de eficiência.