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Ana Beatriz Sousa
Publicado em 4 de abril de 2026 às 08:00
Se você acordou neste sábado (4), e talvez, deu de cara com um boneco de pano pendurado em algum poste ou árvore do seu bairro, não se assuste, é dia de Malhação do Judas. Essa é uma das tradições mais curiosas da Semana Santa, marcando o encerramento do luto da Sexta-feira da Paixão e celebrando a 'vitória' sobre a traição.
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Mas você já parou para pensar de onde vem esse costume de 'dar uma surra' e depois atear fogo em um boneco cheio de serragem?>
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O personagem central, é Judas Iscariotes. Segundo o relato bíblico, ele foi o apóstolo que entregou Jesus aos romanos por 30 moedas de prata. O remorso teria levado Judas a tirar a própria vida.
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A tradição de 'punir' o traidor de forma simbólica chegou ao Brasil com os colonizadores portugueses e espanhóis. Para o povo, queimar o boneco é uma forma de extravasar a indignação contra a traição e 'limpar' as energias para o Domingo de Páscoa que se aproxima.>
Com o passar dos séculos, a malhação do Judas ganhou um tom de sátira política e social. Muitas vezes, o boneco não representa apenas a figura bíblica, mas sim personalidades públicas, políticos ou até problemas do cotidiano que a comunidade quer 'expulsar'.
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Outra parte da tradição é a leitura do Testamento do Judas. Geralmente escrito em versos e com muitas rimas, o texto simula os bens que o 'falecido' deixou para os moradores da rua ou para figuras conhecidas da cidade. >
Semana Santa
Embora cada região tenha seu jeitinho, o roteiro é quase sempre o mesmo:
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A Confecção: O boneco é feito de roupas velhas, palha, serragem e, às vezes, alguns estalinhos para fazer barulho.>
A Malhação: O povo se reúne para bater no boneco com pedaços de pau.>
A Queima: Onde o 'traidor' é queimado em praça pública ou no meio da rua.>
Vale notar que, nos últimos anos, a malhação tem ficado mais restrita ao interior ou a bairros mais tradicionais das grandes cidades, muitas vezes sendo adaptada para evitar acidentes com fogo ou violência. >