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Portugal e Espanha estão girando ao redor de si mesmos e isso é perigoso, revelam geólogos

Movimento medido em milímetros por ano ajuda a explicar sismos em áreas sem falhas visíveis

  • Foto do(a) author(a) Agência Correio
  • Foto do(a) author(a) Helena Merencio
  • Agência Correio

  • Helena Merencio

Publicado em 4 de março de 2026 às 21:00

O deslocamento lateral da região, somado à pressão africana, contribui para o efeito de rotação da península
O deslocamento lateral da região, somado à pressão africana, contribui para o efeito de rotação da península Crédito: NASA, MODIS / LANCE/Wikimedia Commons

Um estudo publicado na revista científica Gondwana Research revela que a Península Ibérica não se limita a avançar para o norte junto com a placa euroasiática.

Pesquisadores identificaram também um giro lento no sentido horário, medido em poucos milímetros por ano, que passa despercebido no dia a dia, mas altera a forma de entender a tectônica da região.

Portugal por Shutterstock

Pressões desiguais provocam deformações

De acordo com os investigadores, a rotação ocorre devido à interação desigual entre as placas africana e euroasiática, especialmente pela pressão exercida pelo bloco de Alborán.

“O movimento não é uniforme e a deformação distribui-se de forma desigual no sul de Espanha, em Portugal e nas áreas marítimas adjacentes”, explicam os especialistas no estudo.

Algumas áreas sofrem compressão direta, enquanto outras registram deslocamentos laterais, mostrando que o movimento não se distribui de maneira linear.

Tensão controlada

Os especialistas destacam a importância do Arco de Gibraltar nesse processo: a combinação da Cordilheira Bética com o Rif marroquino distribui as tensões em múltiplas estruturas menores.

O deslocamento lateral da região, somado à pressão africana, contribui para o efeito de rotação da península.

Diferentemente de falhas evidentes, como a Falha de San Andreas, o limite entre África e Eurásia no Mediterrâneo ocidental forma uma faixa complexa.

Esse limiar se estende do Golfo de Cádis ao mar de Alborán, marcado por fraturas distribuídas e movimentos assimétricos.

Para detectar esse movimento, os investigadores utilizaram estações permanentes de GPS instaladas na península, registrando deslocamentos em milímetros por ano.

Esses dados foram cruzados com a atividade sísmica regional, permitindo construir um modelo de rotação mais preciso que os lineares tradicionais.

Segundo os especialistas, a metodologia combina geodésia por satélite, redes de sensores e análise computacional, ajudando a compreender melhor a deformação distribuída na região.

Veredito do movimento

Embora Espanha e Portugal não estejam entre as regiões mais sísmicas da Europa, eventos históricos mostram que o risco existe.

“O novo modelo de rotação ajuda a explicar a ocorrência de sismos em áreas sem falhas visíveis na superfície", afirmam os investigadores.

Eles continuam explicando que: “a energia tectónica se distribui por várias estruturas menores em vez de se concentrar numa única falha”.

Esses dados permitem atualizar mapas de risco sísmico, principalmente no sudoeste peninsular e nas áreas marítimas adjacentes, oferecendo parâmetros mais precisos para planejar a infraestrutura crítica.

Veredito do movimento

Os especialistas concluem que a Península Ibérica não é um bloco rígido e imóvel. Ela se desloca, comprime-se e gira lentamente, e esse é um processo que não afeta o cotidiano.

No entanto, isso exige a revisão dos modelos clássicos e mostra que a geologia regional é mais complexa do que se imaginava.

Tags:

Ciência