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Raphael Miras
Agência Correio
Publicado em 4 de março de 2026 às 12:50
A travessia entre Buenos Aires e Colonia del Sacramento, no Rio da Prata, está prestes a se tornar o cenário de um marco global na engenharia. >
O personagem principal dessa mudança é o China Zorrilla, um ferry 100% elétrico que detém o título de maior embarcação do gênero já construída no mundo.>
Diferente das balsas tradicionais movidas a combustíveis fósseis, o navio opera exclusivamente com baterias, eliminando por completo as emissões diretas de gases poluentes durante o trajeto. >
Ferry China Zorrilla
O projeto é uma aposta alta da operadora uruguaia Buquebus, que investiu cerca de US$ 300 milhões na iniciativa, incluindo a modernização de terminais portuários.>
Construído pelo estaleiro australiano Incat, o China Zorrilla não impressiona apenas pelo tamanho. >
Com capacidade para transportar 2.100 passageiros e cerca de 225 veículos por viagem, ele utiliza um sistema de propulsão alimentado por uma bateria de aproximadamente 40 megawatt-hora. >
Para se ter uma ideia da escala, a parte principal da balsa conta com 5.000 módulos de baterias empilhados.>
A engenharia também foi adaptada para os desafios específicos da região. Diferente das baterias de lítio convencionais, o sistema do navio foi projetado para resistir ao frio, reduzindo a perda de energia em temperaturas baixas de 30% para apenas 2%. >
Além disso, seu calado raso (2,75 metros) permite que ele navegue com segurança mesmo nas águas de baixa profundidade do Rio da Prata.>
Apesar do avanço, a tecnologia de baterias ainda impõe limites. O China Zorrilla tem uma autonomia de cerca de 100 km com carga máxima, o que o torna ideal para rotas curtas e intensivas, como os 55 km que separam as margens argentina e uruguaia.>
Para sustentar essa operação, foi necessária uma infraestrutura robusta de recarga em ambos os lados do rio. >
Em Colonia, por exemplo, foram instalados 9 km de cabos especiais para suportar a demanda energética. No Uruguai, a energia utilizada será totalmente renovável, proveniente de fontes eólicas e hidrelétricas.>
Por dentro, a embarcação foi desenhada para competir em conforto com os ferries convencionais. >
São mais de 3.000 m² destinados a lojas, recreação e serviços, garantindo que a jornada seja tão atrativa quanto o destino.>
O nome é uma homenagem à renomada atriz e diretora uruguaia China Zorrilla, falecida em 2014, reforçando o laço cultural do projeto com a região.>
Para especialistas e entusiastas da mobilidade, o sucesso desta operação pode definir uma nova tendência no mercado aquaviário mundial. >
Enquanto as longas viagens oceânicas ainda dependem de combustíveis tradicionais, o China Zorrilla prova que o transporte de massa em curtas distâncias já pode ser movido a eletricidade.>