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Kamila Macedo
Publicado em 19 de fevereiro de 2026 às 18:37
O ator Wagner Moura fez declaração sobre a Agência de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) e as políticas de controle migratório do governo de Donald Trump. Em entrevista ao jornal espanhol El País, publicada nesta quarta-feira (18), o artista refletiu sobre a atuação dos agentes no país norte-americano. >
Mesmo vivendo um momento histórico na carreira como o primeiro brasileiro indicado ao Oscar de Melhor Ator pelo filme “O Agente Secreto”, Moura afirmou que teme encontrar agentes do órgão. O ator reside em Los Angeles, na Califórnia, com a esposa, a fotógrafa e cineasta Sandra Delgado, e os filhos Bem, Salvador e José.>
Durante a conversa, o brasileiro expressou preocupação com o atual cenário político. "Estamos atravessando um momento muito feio; até eu tenho medo de me deparar com o ICE. Digo isso porque reajo de maneira explosiva quando vejo uma situação de injustiça ou de autoritarismo diante dos meus olhos. E agora não sei se conseguiria fazer isso, porque esses caras podem te matar, como vimos”, declarou.>
Moura também traçou um paralelo entre a situação política dos Estados Unidos e do Brasil: "É curioso como se repetem os mesmos padrões que ocorreram no Brasil. Por exemplo, demonizar os atores, os artistas, os jornalistas e as universidades. A extrema direita no Brasil foi muito eficaz em transformar, diante das pessoas, os artistas brasileiros em inimigos do povo. Com um discurso com mensagens como a de que essa gente vive do dinheiro público. Ou como conseguiram fazer com que a verdade desaparecesse".>
"Há cerca de dez anos, no Brasil, fomos muito ingênuos. Pensávamos que o Facebook podia ser uma ferramenta de conexão, de mobilização das pessoas e de democratização da informação. Hoje é evidente a união entre os oligarcas da tecnologia e a extrema direita”, completou o ator.>
Wagner Moura
No início de fevereiro, em participação no podcast Happy Sad Confused, o protagonista de “O Agente Secreto” relembrou sua mudança para os Estados Unidos, ocorrida em 2017, após o sucesso da série "Narcos". Na ocasião, ele destacou a ajuda do amigo e ator chileno Pedro Pascal, que atendeu ao seu pedido de uma “carta de recomendação” para o processo migratório. >
"Ele foi super importante quando me mudei para os Estados Unidos, porque pedi que ele escrevesse aquelas cartas para o serviço de imigração. Naquela época não tinha o ICE, era mais fácil", comentou.>