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Maria Raquel Brito
Publicado em 9 de janeiro de 2026 às 21:50
Uma mesa, duas cadeiras e uma garrafa de cerveja são a junção perfeita para a sofrência. Se toca aquele arrocha, então, aí está a receita completa. Nenhum desses elementos ficou de fora do palco da Concha Acústica nesta sexta-feira (9).
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O anfiteatro recebeu a terceira edição do Osbrega - Concerto do Amor, iniciativa da Orquestra Sinfônica da Bahia (Osba) em que sucessos da música romântica ganham uma nova roupagem, acompanhados pelos instrumentos da orquestra. >
Sob regência do maestro Carlos Prazeres, passaram por lá clássicos do arrocha ao MPB, como “Porque homem não chora”, de Pablo, “Infiel”, de Marília Mendonça, e “Frisson”, de Tunai. >
“O Osbrega começou há três anos e no início ele não foi entendido. É tão bonito a gente homenagear os cantores que falam de amor no nosso país, que muitas vezes são tratados como preconceito elitista. O que a gente faz aqui não é uma homenagem caricatural, é uma homenagem sincera e com muito amor a esses caras que unem todas as gerações, todas”, disse Carlos Prazeres. >
E se a pergunta das redes sociais nos últimos meses tem sido “tem pitu?”, a Osba respondeu: ô se tem. Nas vozes dos cantores Guigga e Juliana Linhares, o público acompanhou a plenos pulmões, verso por verso, cada música do repertório — e não foi diferente com o hit “Onde está o meu amor?”. >
“A música é imensa e múltipla porque a gente faz coisas como essas acontecerem. A gente amplia a nossa cabeça, a nossa visão, pra ouvir mais, pra se amar mais, porque isso aqui é muito precioso”, declarou Juliana, entre uma música e outra. >
Quem estava de pé dançava, mas quem preferiu curtir sentado também não ficou parado. De seus lugares, o público balançava de lá para cá no ritmo conhecido de um bom arrocha. >
Nas fileiras lotadas de admiradores de todas as idades (apelidado “público crush” da Osba), estava Lilian Barbuda, estudante de 61 anos, que levou toda a família para prestigiar a orquestra. Fã da Osba desde a juventude, ela não perde um concerto. Nesta sexta, chegou cedo para marcar seu lugar na primeira fileira. E a próxima geração da família já vem com tudo: o sobrinho Benício, de oito anos, também não perde uma apresentação. “Minha mãe sempre me trouxe, e agora eu continuo a tradição”, disse Lilian.>
Depois, em uma transição de “Berghain”, de Rosalía, para “Cheia de Manias”, de Raça Negra, se juntou à orquestra a soprano Raquel Paulin, para uma participação especial. >
No clima do romance que a noite pedia, Ana Cristina Montalvo, de 66 anos, e Antônio Carlos de Jesus, de 72, também aproveitaram o concerto, que já conhecem bem. Para eles, é essencial que a orquestra toque o que o público conhece e gosta, as músicas que fazem parte das vidas de quem escuta. >
“São músicas que eu ouvia na minha adolescência, então traz também aquela saudade, né? Porque o que é brega hoje, antigamente não era. Era o que a gente ouvia”, afirmou Ana Cristina. “A Osba foi certeira com esse concerto. É o que a gente ouve todos os dias”, completou Antônio Carlos.>