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Maria Raquel Brito
Publicado em 1 de janeiro de 2026 às 21:52
Cinco horas de música, convidados mais que especiais e energia para dar e vender. Assim foi o primeiro dia do ano de quem compareceu ao Pôr do Som, tradicional espetáculo de 1º de janeiro de Daniela Mercury. >
No Farol da Barra, onde tudo começou há 26 anos, o público pôde acompanhar e cantar junto, de forma gratuita, alguns dos maiores sucessos da cantora baiana. Ao longo da tarde do Dia Mundial da Paz,, admiradores e turistas que pararam para admirar o show ouviram músicas como “Dara”, “Banzeiro”, “Ilê Pérola Negra” e “Maimbe Danda”.>
Confira momentos do Pôr do Som
“[O Pôr do Som] é um sentido de pertencimento, de celebração desse lugar, da cidade da Bahia, com os artistas que são ligados à cultura local, músicas que falam de nós, com movimentos e coreografias de coreógrafos nossos. É uma conexão muito forte com quem somos”, afirmou Daniela. “Eu espero sempre trazer, a cada ano, mensagens necessárias, mas que estão conectadas para o que o coletivo tem feito.”>
Este ano, o Pôr do Som tem um gosto especial para Daniela. Um dos motivos é a homenagem à ialorixá Mãe Carmen de Oxaguiã, do Terreiro do Gantois, que morreu na última sexta-feira de 2025. >
“Eu já tinha anunciado pra ela, antes de ela ser hospitalizada, que queria fazer essa homenagem, pela proximidade do centenário dela, e hoje a gente vai fazer”, afirmou a cantora antes do show. >
Daniela, que descreve Mãe Carmen como “a líder de candomblé mais importante do mundo”, frequenta o Gantois e sempre demonstrou o carinho que sente pela ialorixá. Lançou em 2015, no álbum Vinil Virtual, a música “Senhora do Terreiro (Mãe Carmen)”, e fez parte do álbum “Obatalá - Uma homenagem a Mãe Carmen” (2019), do grupo Ofá, na canção “O Xe! O Xe Oniye!”. Nesta quinta-feira (1°), às duas músicas integraram o repertório do show, e Daniela convidou o grupo Samba Gringa para cantar a segunda música com ela. >
Outra razão que torna especial a 26ª edição do projeto é que Daniela pôde dividir pela primeira vez o palco com alguns dos artistas da família Mercury: a cantora e irmã, Vania Abreu, e as sobrinhas, Maiana Monteiro e Nina Quintanilha, além do filho Gabriel, emocionaram os fãs cantando lado ao lado músicas como “Oração ao Tempo”, de Caetano Veloso. >
A abertura também foi familiar, com um show de Gabriel Mercury, que fez em 2025 sua estreia oficial no mundo da música com um disco homônimo. Este é o segundo ano consecutivo do cantor no Pôr do Som e Gabriel trouxe para o palco o show SPB — sigla para Sofrência Popular Brasileira —, em que apresentou clássicos de artistas como Pablo do Arrocha e Marília Mendonça, além das canções de arrocha presentes no seu próprio disco, “Fuga” e “Eu não sofro por amor”, parceria com Tierry. >
“A expectativa para o Pôr do Som é sempre maravilhosa, ao mesmo tempo que de muita responsabilidade”, disse o cantor. “E agora, pela primeira vez, eu vou cantar não só com a minha tia, mas com as filhas dela e com minha mãe todos juntos. Olha, tá uma maravilha, tá uma delícia. Vocês vão entrar na intimidade, entrar na casa.”>
O relógio marcava 18h quando a cantora subiu ao palco, ao som de “É Terreiro”, sua parceria com Alcione, lançada em outubro do último ano. >
Nesta edição, Daniela foi acompanhada ainda por grandes nomes da música popular brasileira, como Geraldo Azevedo e Ivete Sangalo. Ao lado de Geraldo Azevedo, segundo convidado a subir ao palco, cantou “Moça bonita”, “Dia branco” e “Bicho amor”, esta última uma parceria entre os dois, lançada em 2025. >
Com Ivete, a primeira canção escolhida também foi do cantor pernambucano: as duas cantaram “Dona da minha cabeça” ao lado de Geraldo Azevedo. Entre as outras músicas que dividiram, estavam “Energia de gostosa”, “O verão bateu em minha porta” e “Vampiro”, a mais nova música de Ivete, apresentada pela primeira vez durante o Festival Virada Salvador no último dia de 2025. >
No Farol da Barra desde 14h, o comerciário Gil Passos, de 45 anos, não demonstrava um pingo de cansaço durante o show. O motivo de ter chegado tão cedo foi a paixão por Daniela. Fã de carteirinha desde os 12 anos de idade, ele não perde um evento em que a cantora está — principalmente o Pôr do Som. “É o 26º ano que estou aqui com Daniela. Meu ano só começa depois do Pôr do Som. Se eu não vier, não começa”, afirmou. >
Joana Pereira, de 79 anos, chegou cedinho ao Farol da Barra para curtir o Pôr do Som. Está longe de ser a primeira vez: sempre que pode, vem acompanhar a festa da cantora no primeiro dia do ano. >
A energia vem desde o último dia de 2025: "Eu estava na Boca do Rio, no Festival, passei em casa e vim pra cá. Cheguei cedo pra dançar pertinho de Daniela", contou. >