Cadastre-se e receba grátis as principais notícias do Correio.
Flavia Azevedo
Publicado em 4 de fevereiro de 2026 às 21:51
A Nike, uma das maiores fabricantes de vestuário e equipamentos esportivos do mundo, tornou-se o mais novo alvo de uma investigação federal nos Estados Unidos. A Comissão de Igualdade de Oportunidades de Emprego (EEOC, na sigla em inglês) anunciou que está apurando denúncias de que as políticas internas de Diversidade, Equidade e Inclusão (DEI) da companhia resultaram em discriminação intencional contra trabalhadores e candidatos brancos. >
A investigação veio a público nesta quarta-feira (4), quando a agência federal apresentou uma petição em um tribunal distrital no Missouri. O objetivo da ação é obrigar a Nike a cumprir uma intimação administrativa que exige a entrega de dados detalhados sobre a composição racial de sua força de trabalho e os critérios de seleção para programas internos.>
Nike
Foco em programas de mentoria e promoções>
De acordo com os documentos judiciais apresentados pela EEOC, a agência busca determinar se a Nike estabeleceu um "padrão ou prática de tratamento desigual" em suas decisões de contratação, promoção e demissão. A investigação foca especialmente em 16 programas da empresa que, segundo a comissão, poderiam restringir oportunidades de mentoria e desenvolvimento de carreira com base na raça.>
A comissão afirma que tenta obter esses dados voluntariamente desde 2018, mas que a empresa teria se recusado a fornecer informações completas sobre as demissões ocorridas em determinados períodos e sobre a aplicação prática de suas metas de diversidade.>
Contexto político e mudança de postura regulatória>
A ação contra a Nike ocorre em um momento de transição nas políticas federais americanas. Sob a administração de Donald Trump, órgãos reguladores têm sinalizado um endurecimento na fiscalização de programas corporativos de DEI. Andrea Lucas, indicada para presidir a EEOC, afirmou em comunicado que a agência renovou seu foco na "aplicação equitativa" do Título VII da Lei dos Direitos Civis, que proíbe a discriminação no emprego.>
Críticos desses programas argumentam que, ao estabelecer metas específicas para grupos minoritários, as empresas podem acabar incorrendo no que chamam de "discriminação reversa". Por outro lado, defensores das políticas de diversidade sustentam que elas são fundamentais para corrigir desigualdades históricas no mercado de trabalho.>
O que diz a Nike>
Em resposta preliminar citada por veículos como a agência Reuters e o jornal The Guardian, a Nike afirmou que acredita que seus programas e práticas de recursos humanos são consistentes com as obrigações legais. A empresa declarou ainda que continuará a cooperar com a EEOC e que responderá formalmente à petição judicial.>
A gigante do esporte tem enfrentado um período desafiador, com vendas em queda no mercado chinês e uma reestruturação interna que incluiu cortes de gastos e demissões globais nos últimos meses.>
Por @flaviaazevedoalmeida , com agências>