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Carol Neves
Publicado em 7 de janeiro de 2026 às 08:02
Longe dos holofotes e da superexposição que costuma cercar grandes estrelas do futebol, Lionel Messi abriu espaço para falar de si fora das quatro linhas. Em uma entrevista rara, concedida ao canal de streaming argentino Luzu TV, o camisa 10 abordou seu estilo de vida discreto, a relação intensa com a família, a timidez e até dificuldades pessoais que costuma guardar para si. >
“Não gosto que falem de mim que não seja jogando futebol”, resumiu o craque, ao explicar por que evita aparições públicas fora do campo. Segundo ele, a exposição só faz sentido quando está ligada ao que sabe fazer melhor. “Não gosto de me expor, de estar nos meios de comunicação, se não for pelo que faço em campo, que é o que eu sei fazer”, afirmou.>
Durante mais de uma hora de conversa com os jornalistas Nicolás Occhiato e Diego Leuco, Messi revelou um perfil metódico e extremamente organizado, algo que o acompanha desde a infância. Mudanças inesperadas na rotina, segundo ele, podem afetar diretamente seu humor e admitiu ser "estranho". >
Messi e sua família
"Eu sempre fui organizado. Com a roupa de treinar, as coisas do futebol. Não gosto que toquem, tenho que saber onde está cada coisa. Sou assim desde pequeno. A verdade é que tenho um lado que é mais estranho, eu gosto muito de estar sozinho. Meu estado de ânimo depende de muitas coisas, de pequenas bobagens, detalhes. Se mudam o que eu tinha que fazer. Eu sou muito estruturado, se eu tenho meu dia organizado de um jeito, e no meio acontece alguma coisa...", diz.>
Aos 38 anos, o jogador do Inter Miami é casado com Antonela Roccuzzo com quem tem três filhos: Thiago, de 13 anos, Mateo,de 10, e Ciro, de 7. Na entrevista, reconheceu que seu jeito introspectivo, por vezes, o incomoda. “Eu não me comunico, eu assimilo tudo por dentro”, disse. Messi revelou ainda que chegou a fazer terapia quando morava em Barcelona, mas não deu continuidade. “Eu sou muito de guardar as coisas, os problemas. Eu mudei muito, mas ainda assim...”, admitiu.>
No dia a dia, o craque explicou que divide suas questões pessoais principalmente com a esposa, enquanto os assuntos ligados ao futebol costumam ser conversados com o pai. “Obviamente, no dia a dia, falo com Antonela, falo muito com meu pai na parte esportiva, depois de um jogo, isso compartilho mais com meu pai”, relatou.>
Messi também falou sobre momentos em que se fecha emocionalmente e tem dificuldade para sair desse estado. “O que menos gosto é quando me bloqueio e me custa muito sair”, confessou. Segundo ele, o filho Mateo é um dos poucos que conseguem ajudá-lo nesses momentos. “É que me custa me expressar, comunicar meus problemas, o que está acontecendo. Sei que é feio, mas é meu jeito.”>
Carreira de sucesso>
À vontade na conversa, o argentino relembrou o início da carreira, quando ainda garoto foi aprovado em um teste no River Plate, mas acabou não sendo liberado pelo Newell's Old Boys. Pouco tempo depois, surgiu a oportunidade de se mudar para a Espanha e ingressar no Barcelona, aos 13 anos, passo decisivo para sua trajetória no futebol.>
O craque também comentou seu estilo de jogo mais objetivo, sem exageros técnicos. “Muitos dizem que eu não dou pedaladas, essas coisas. Nunca gostei, quando era criança fazia mais, mas na época nem existiam essas coisas que fazem com a bola. Nunca gostei”, afirmou.>
Apesar do sucesso no clube espanhol, Messi lembrou o sofrimento por não conseguir repetir o mesmo brilho com a seleção argentina durante muitos anos. Ele recordou o momento em que anunciou a saída da equipe nacional, após perder a segunda final consecutiva da Copa América, em 2016, decisão da qual se arrependeu rapidamente. “Pensei em um momento que não ia mais (para a seleção), mas depois me arrependi muitíssimo”, disse. “Menos mal que pude voltar atrás, e não me importava se alguém iria dizer, ah, ele se foi e agora voltou.”>
A redenção com a camisa da Argentina só veio em 2021, com o título da Copa América disputada no Brasil, no Maracanã. A partir dali, Messi viveu uma sequência histórica de conquistas: a Finalíssima de 2022, a Copa do Mundo no Catar, também em 2022, e o bicampeonato da Copa América, em 2024.>
Ao final, o camisa 10 se mostrou grato pela carreira e pelas conquistas que chegaram quando pareciam improváveis. “Graças a Deus, eu pude fazer tudo, Deus me deu muito mais do que eu pensava. Quando parecia que já era impossível, vieram os troféus com a seleção argentina, que era o que mais me faltava”, concluiu. “Depois disso, podemos ficar tranquilos que já fizemos tudo. Sou agradecido totalmente.”>