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É bairro? Como nome Iguatemi tomou conta de uma região

Conheça a história da região que 'tomou' o centro financeiro da capital baiana

  • Foto do(a) author(a) Maysa Polcri
  • Maysa Polcri

Publicado em 31 de janeiro de 2026 às 13:00

Região do Iguatemi na década de 90
Região do Iguatemi na década de 90 Crédito: Arquivo Correio

O letreiro em frente a um dos maiores shoppings de Salvador mudou, mas muita gente não abre mão de chamar a região de Iguatemi. Uma das mais movimentadas da capital baiana, rota de passagem para milhares de pessoas todos os dias e centro financeiro da cidade, ela não é bairro. Mas até parece que é.

Em 1975, a inauguração do Shopping Iguatemi — rebatizado como Shopping da Bahia em 2015 — marcou uma virada definitiva na geografia urbana de Salvador. O empreendimento ajudou a deslocar o eixo financeiro da cidade para o norte, impulsionando a abertura de avenidas, a verticalização do entorno e a instalação de bancos, escritórios e prédios comerciais.

Região do Iguatemi na década de 90 por Arquivo Correio

Antes disso, o cenário era bem diferente. Onde hoje circulam carros, ônibus e pedestres em ritmo acelerado, predominavam grandes sítios e fazendas. “A população que existia naquela região, um número muito pequeno se comparado a hoje, morava em casas muito simples ou casas típicas de fazenda nas áreas dos Cabulas, de Pernambués e das redondezas”, explicou o historiador Rafael Dantas, pesquisador da cultura material e da iconografia da Cidade do Salvador, em entrevista anterior ao CORREIO. 

A logística do consumo se deslocou do Centro Histórico, e a região do Iguatemi passou a concentrar fluxos de pessoas, mercadorias e serviços. Esse movimento se intensificou sobretudo a partir do fim dos anos 1980 e da década de 1990, quando a área se consolidou como um dos centros econômicos da cidade.

Daniel Rebouças, doutor em História pela Universidade Federal da Bahia (Ufba), afirma que a urbanização da região do Iguatemi deve ser entendida como parte de um processo mais amplo de expansão urbana. “O shopping vai funcionar como um centro, junto com a rodoviária e bairros como Pituba e, depois, Itaigara. Isso só vai ganhar essa feição de centro econômico mais claramente no final dos anos 80 e nos anos 90”, analisa.

A chegada de um grande contingente de trabalhadores especializados, atraídos pelo Centro Industrial de Aratu (CIA) e, posteriormente, pelo Polo Petroquímico de Camaçari, também teve papel decisivo. Esses profissionais passaram a demandar moradia e serviços compatíveis com um padrão de classe média em ascensão. Bairros como a Pituba, que em parte foi área de fazenda loteada pelo poder público, começaram a oferecer esse tipo de habitação. 

Ao mesmo tempo, políticas urbanas passaram a desaconselhar a concentração de atividades industriais no centro tradicional da cidade, seja por questões ambientais, de segurança ou de mobilidade. Com isso, bancos, escritórios de advocacia, contabilidade e outros serviços ligados à atividade econômica migraram para áreas com melhor acesso viário, especialmente próximas à Avenida Luís Viana Filho, a Paralela, e às rotas de saída para o norte do estado. O Iguatemi encaixou perfeitamente nesse novo eixo.

Agora, a região passa por mudanças, como o fim da Rodoviária - que passou a funcionar no bairro Águas Claras - e a inauguração do viaduto José Linhares, que contribui para a melhora do tráfego na localidade

Mesmo sem existir oficialmente como bairro, o nome se espalhou e ganhou vida própria. Virou referência geográfica, ponto de encontro, endereço simbólico. Dizer que algo fica “no Iguatemi” é, para muitos soteropolitanos, mais claro do que citar limites administrativos. Meio século depois da inauguração do shopping, a região segue carregando o nome que faz parte da história da cidade.