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'Não há um dia em que eu não me sinta angustiada': mãe de guia turístico cobra justiça pela morte do filho

Victor Cerqueira foi morto em Caraíva, durante operação policial, em maio do ano passado

  • Foto do(a) author(a) Elaine Sanoli
  • Foto do(a) author(a) Bruno Wendel
  • Elaine Sanoli

  • Bruno Wendel

Publicado em 30 de janeiro de 2026 às 23:14

Victor Cerqueira, conhecido pelos amigos como Vitinho
Victor Cerqueira, conhecido pelos amigos como Vitinho Crédito: Reprodução/ Redes sociais

Cerca de 263 dias se passaram desde que o guia turístico Victor Cerqueira, 28, foi morto durante uma operação das polícias Estadual e Federal em Caraíva, distrito turístico de Porto Seguro, no extremo sul da Bahia. São 263 dias de angústia e sofrimento para quem perdeu um filho, um amigo, e convive diariamente com a falta de respostas concretas das autoridades responsáveis.

“Esses dias continuam sendo vividos com angústia. Não digo com a mesma revolta, mas com fé. Eu acredito que isso um dia vai chegar ao fim. Vivo na angústia, na saudade. Não tem um dia sequer em que eu não me sinta angustiada, depressiva, mas sigo com fé e esperança”, relatou a mãe de Vitinho, Luzia Cerqueira, 57.

Victor Cerqueira, era conhecido pelos amigos e familiares como Vitinho por Reprodução/ Redes sociais

Ao longo desse período, Luzia convive com as memórias vívidas da rotina ao lado do filho, que começava com um “bom dia” e terminava com um “boa noite”. “Essa é a lembrança que tenho todos os dias, de manhã e à noite. A gente não passava um dia sequer sem se falar, sem declarar nosso amor, sem abençoar um ao outro. Essa é uma lembrança muito forte para mim”, relembra.

Nesta quinta-feira (29), familiares e o advogado do jovem estiveram na capital baiana para cobrar das autoridades celeridade na resolução do caso. Passados mais de 260 dias, o Ministério Público ainda não concluiu as investigações. A família argumenta que Victor foi torturado e morto após ter sido confundido com um criminoso e que as autoridades não apresentaram uma conclusão compatível com a urgência e a gravidade do caso.

Apesar da falta de respostas e de justiça, a família segue acreditando na responsabilização dos envolvidos. “Acredito, sim, na prisão dos culpados. Se não acreditasse, não estaria aqui lutando pela inocência do meu filho. Eu sei que ele era inocente. Espero que algo aconteça na vida dessas pessoas que cometeram essa atrocidade contra o meu filho”, declarou Luzia.

O CORREIO procurou o Ministério Público da Bahia em busca de atualizações sobre as investigações do caso e aguarda um retorno.

Victor Cerqueira, natural de Itabela, foi morto no dia 10 de maio de 2025 durante uma operação contra um grupo suspeito de envolvimento com tráfico de drogas e armas, homicídios, roubos, lavagem de dinheiro e corrupção de menores, no distrito de Caraíva.

À época, a Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) informou em nota que “dois suspeitos, sendo um deles com mandado de prisão em aberto, foram atingidos após confronto relatado pelas equipes. Eles chegaram a ser socorridos, mas não resistiram aos ferimentos”.

No entanto, Victor teria sido morto enquanto se deslocava para receber turistas. Testemunhas afirmaram que ele foi visto sendo levado algemado antes de ser encontrado morto. Moradores relataram que ele não tinha qualquer envolvimento com o tráfico de drogas.

Além de Victor, o principal alvo da operação, Ramon Oliveira Cruz, de 33 anos, conhecido como “Alongado”, também morreu. Com ambos, a polícia informou ter apreendido uma pistola, um revólver, carregador, munições e porções de entorpecentes. O caso é investigado pela Corregedoria da Polícia Militar.