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Millena Marques
Publicado em 7 de março de 2026 às 13:06
O operador de logística Paulo Araújo, de 38 anos, é o segundo paciente da Bahia a receber um tratamento experimental com a enzima polilaminina, apontada por pesquisadores como uma das abordagens promissoras para lesões medulares agudas. O procedimento foi realizado no Hospital Mater Dei Salvador (HMDS), na pultima sexta-feira (6), e é o primeiro caso conduzido em um hospital privado do estado, dentro da pesquisa do protocolo da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). >
Paulo foi baleado ao sair do trabalho em Salvador. O projétil atingiu as costas e provocou uma lesão raquimedular completa na altura da vértebra T2, levando à perda dos movimentos do peito para baixo. Após conhecer o tratamento por meio de uma reportagem, ele entrou em contato com a farmacêutica responsável pela pesquisa e conseguiu se enquadrar no protocolo experimental, autorizado pela Anvisa e pelo laboratório que desenvolve a enzima.>
“Quando fui atingido, perdi os movimentos do peito para baixo e pensei que nunca mais teria esperança de recuperação. Conhecer esse tratamento e conseguir participar do estudo reacendeu minha fé e minha vontade de lutar”, conta.>
Polilaminina
Ele diz que vê no procedimento uma oportunidade não apenas pessoal, mas também de contribuir para o avanço da ciência. “Hoje tenho a oportunidade de ter esperança de voltar a ter movimentos. Creio que Deus está permitindo que novas portas se abram não só para mim, mas para muitas outras pessoas que enfrentam a mesma situação”, afirma.>
Após a aplicação da enzima, o paciente seguirá acompanhamento médico e um programa específico de reabilitação. Os resultados serão monitorados ao longo dos próximos meses, período considerado crucial para avaliar possíveis respostas neurológicas ao tratamento.>
O procedimento foi conduzido pelo neurocirurgião Marco Aurélio Brás de Lima, do Rio de Janeiro, e pelo cirurgião de coluna do HMDS Fabrício Guedes, com apoio de uma equipe multidisciplinar. “A aplicação da enzima foi feita diretamente na medula espinhal por meio de agulhas especiais posicionadas na região da lesão. Como o dano medular é extenso, realizamos a aplicação de forma fracionada em diferentes pontos da área afetada, com o objetivo de ampliar a distribuição da substância e favorecer o ambiente de regeneração neural”, explica o doutor Fabrício.>
A expectativa é que, após a aplicação, o paciente passe por um processo de reabilitação intensiva com fisioterapia especializada, etapa considerada essencial para estimular possíveis ganhos funcionais. “Trata-se de uma abordagem ainda experimental, indicada especialmente para lesões medulares agudas, nas quais há maior potencial de resposta biológica ao tratamento. A proposta é criar condições mais favoráveis para que o sistema nervoso volte a estabelecer conexões”, afirma o especialista.>