CHUVA

Pituba é o bairro em que mais choveu em Salvador; o que tornou o bairro alvo de tanta água?

Meteorologista explica os motivos por trás dos 459mm milímetros de água contabilizados no bairro

  • Foto do(a) author(a) Millena Marques
  • Millena Marques

Publicado em 11 de abril de 2024 às 05:30

Pituba
Pituba Crédito: Ana Lúcia Albuquerque/CORREIO

Em abril, nenhum outro bairro registrou maior acumulação de chuvas em Salvador do que a Pituba. Até o momento, foram 459 milímetros contabilizados em dez dias, de acordo com a Defesa Civil de Salvador (Codesal). Embora não exista evidências diretas de que um fator específico seja responsável por afetar um único bairro, o aguaceiro que tomou conta das ruas teve influência do sistema meteorológico cavado e da atuação de uma frente fria.

“O cavado, junto com a atuação de uma frente fria, causou chuvas não apenas em Salvador, mas especialmente sobre o oceano. A região costeira foi impactada devido à sua proximidade com o oceano Atlântico”, explica o meteorologista da Codesal Eli Moisés.

O cavado é um sistema meteorológico de baixa pressão responsável por trazer vapor d’água e causar chuvas.

A posição geográfica do bairro também facilitou a acumulação de água. Isso porque a Pituba está localizada em uma região da cidade onde os ventos predominantes do Sudeste apontam, o que facilita a incidência de chuvas. Além disso, eventos atmosféricos podem indicar uma intensidade maior dos temporais.

“Um evento significativo foi o Complexo Convectivo de Mesoescala (CCM), que se formou no sul de Salvador durante a madrugada do dia 2 de abril, a poucos quilômetros de Pituba, indicando uma atuação intensa nessa área”, continua Eli Moisés.

A Pituba não só lidera o ranking do mês, como também ocupa o top 1 de maior acumulação de chuva nos últimos dois dias: foram 101 milímetros de água nas últimas 48h. Foi tanta chuva na terça-feira (9) que o professor de boxe Florisvaldo Charles Carneiro, 53 anos, ficou 2h a mais no trabalho, uma academia na Rua Vereador Maltez Leone, para evitar o temporal. “Eu tinha que dar aula na Rua Minas Gerais, ai tive que tirar o sapato, levantar a calça e ir descalço até o carro”, conta.

Ainda segundo Carneiro, o Shopping Ponto 7 é um dos pontos que mais sofrem com as fortes chuvas. “A água vai toda para aquela região. O carro vai passando e a água vai entrando nas lojas. As pessoas ficam tentando tirar com o rodo, mas tem vezes que não conseguem porque o volume de água é grande”, finalizou.

O problema não é de agora. A advogada e empresária Márcia Moreno, proprietária de uma loja de roupas no centro comercial, contou que já perdeu muitos móveis em época de chuva. “Já tive prejuízos aqui terríveis, de móveis inchar por causa da água. Agora, a gente já deixa as roupas já mais suspensas e todos os móveis são levantados, para evitar maiores danos”, afirma Márcia.

Na terça-feira, a empresária não conseguiu vender uma peça sequer. Passou o dia todo tentando tirar a água que entrou na loja e atingiu o salão principal e o banheiro. “Tive que abrir as portas para tirar água, para lavar, porque vem água suja, de esgoto, com barata. Quando passa um carro, isso aqui vira uma lagoa, aí o carro faz uma onda e a água invade mesmo a loja. É bem complicado”, desabafou.

A reportagem entrou em contato com a Codesal, questionando a maneira como a água do bairro escoa. No entanto, não havia resposta até o fechamento desta matéria.

*Com orientação da chefe de reportagem Monique Lôbo