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Maysa Polcri
Publicado em 10 de março de 2026 às 06:30
O número de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) costuma aumentar no início do ano no Brasil. Esse comportamento sazonal, associado à maior circulação de vírus respiratórios, já começa a aparecer nos dados epidemiológicos de 2026. >
A Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) já registrou ao menos 745 casos de SRAG e 28 mortes neste ano. Desse total, 59 casos foram associados à influenza e 45 à covid-19, além de 210 registros associados a outros tipo de vírus. Há ainda 303 ocorrências sem identificação do agente causador, além de 125 casos e um óbito que seguem em investigação, de acordo com o boletim epidemiológico mais recente. >
Embora a Bahia não esteja entre os locais em alerta para o aumento expressivo da doença, os números refletem a circulação de vírus respiratórios já observada no cenário nacional. O boletim InfoGripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), divulgado neste mês, aponta crescimento de casos de SRAG em quase todo o Brasil. Segundo o levantamento, o aumento tem sido impulsionado principalmente por rinovírus em crianças e adolescentes, vírus sincicial respiratório (VSR) em bebês e influenza A em jovens, adultos e idosos.>
O médico infectologista e professor da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Victor Castro Lima, explica que o aumento de casos é esperado nesta época do ano. “A síndrome respiratória aguda grave tem um comportamento sazonal. Existem épocas do ano em que realmente aumenta o número de casos, principalmente entre março e abril”, explica.>
“É um período em que muitas pessoas viajam nas férias e, logo depois, ocorre o retorno às aulas e às atividades. Crianças e jovens passam a ter mais contato entre si, o que facilita a transmissão de vírus respiratórios”, acrescenta. Segundo o especialista, a situação da Bahia não deve causar desespero. >
“Não é um cenário de desespero ou calamidade, mas é um momento que exige atenção e cuidados”, afirma Victor Castro Lima. Entre as medidas recomendadas estão evitar contato com outras pessoas quando houver sintomas respiratórios, reforçar a higienização das mãos e usar máscara se for necessário sair de casa estando doente. O infectologista também destaca a importância da vacinação.>
Em todo o país, 14.370 casos de SRAG foram notificados em 2026. Entre aqueles com diagnóstico positivo para vírus respiratórios, os mais frequentes foram rinovírus (40%), influenza A (20%), covid-19 (17%) e vírus sincicial respiratório (13,6%). Nas últimas semanas analisadas, o rinovírus passou a responder por 45,4% dos casos positivos. Ele é o principal causador do resfriado comum.>
“O rinovírus é um dos vírus respiratórios mais comuns. Normalmente causa sintomas mais leves, como nariz entupido e coriza, e raramente evolui para formas graves”, explica o infectologista. Em alguns casos, porém, ele pode aparecer junto com outros vírus respiratórios, como influenza ou covid-19.>
Os dados também mostram que os impactos mais graves da síndrome costumam atingir grupos específicos da população. Crianças pequenas, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas, como diabetes, problemas cardíacos ou pulmonares, têm maior risco de desenvolver complicações.>
“Covid-19 e influenza são doenças preveníveis por imunização. As vacinas são eficazes e seguras e estão disponíveis na rede pública”, afirma. Para se vacinar, basta procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima da sua casa e atualizar a caderneta de vacinação de forma gratuita. >