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Bruno Wendel
Publicado em 23 de fevereiro de 2026 às 15:45
Uma possível traição pode ter sido o estopim do confronto entre traficantes que deixou moradores em pânico neste domingo (22), no bairro do Costa Azul. O tiroteio ocorreu na comunidade conhecida como Inferninho, oficialmente chamada de Comunidade Santa Rosa de Lima, localizada entre edifícios de um dos bairros de classe média de Salvador. >
A localidade é dividida por dois grupos criminosos, entre eles o Comando Vermelho (CV). Segundo moradores, o CV não teria aceitado a recente aliança da outra facção com um grupo rival que atua na região vizinha da Boca do Rio, historicamente associada ao Bonde do Maluco (BDM).>
Tiroteio: moradores vivem momentos de tensão no Costa Azul
“Agora essa guerra não vai ter fim. Vai ser tiro atrás de tiro”, afirmou, na manhã desta segunda-feira (23), um ambulante que mora no Inferninho. A área é dividida entre Inferninho de Baixo e Inferninho de Cima. A parte de Baixo, mais próxima da mata fechada e das dunas até as margens da Rua Doutor Lopes Pontes, seria território do CV. Já a parte de Cima fica nas imediações da Rua Professor Isaías Alves de Almeida, acesso à comunidade pela orla.>
“O que se comenta é que esse pessoal ‘fechou’ com a Boca do Rio. De agora em diante, a gente não vai ter paz tão cedo”, disse a fonte.>
Confronto>
A Tropa do A seria a responsável por dividir o controle do Inferninho com o CV, que teria chegado à área há cerca de três meses. “Antes era tudo um grupo só. Aí chegou esse pessoal de fora e se juntou com os daqui. Mas tudo mudou ontem (domingo)”, relatou um morador.>
O tiroteio aconteceu no Inferninho de Cima, por volta das 17h. No entanto, a tensão já vinha desde antes do fim de semana. “O pessoal já tinha visto vários homens armados na tarde de sexta-feira circulando nas dunas. Todo mundo estava tenso, esperando pelo pior”, contou.>
Uma moradora do Condomínio Colina do Mar, próximo à entrada principal da comunidade, descreveu os momentos de medo. Ela foi acordada pelos disparos. “Estava descansando depois do almoço quando ouvi as rajadas. Foram muitas. Corri para ver minhas crianças”, relatou. Os filhos brincavam na praça do condomínio. “Desci e eles já estavam protegidos dentro do prédio. Tive medo de uma bala perdida atingir meus filhos. Foi muito assustador.”>
Apesar de a madrugada e a manhã desta segunda-feira terem sido tranquilas, diferentemente do domingo — quando o confronto esvaziou as principais ruas da região — o clima ainda é de apreensão.>
“A gente não sabe o que está por vir. Não dá para ficar sossegada. Quando acaba a tranquilidade na comunidade, isso nos afeta por tabela. Eles podem correr para o lado de cá e um tiro atingir quem não tem nada a ver com essa guerra”, afirmou outra moradora.>
Em nota, a Polícia Militar informou que policiais militares da 39ª CIPM foram acionados para verificar a situação de homens armados na localidade, mas nenhum suspeito foi encontrado. "O policiamento permanece intensificado na localidade, e a corporação reforça a importância da participação da população, por meio dos canais 190 e 181, para denúncias e informações que contribuam com a segurança pública", acrescentou.>
O CORREIO também solicitou posicionamento da Polícia Civil, que informou não ter localizado registros de ocorrência.>