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Maysa Polcri
Publicado em 30 de janeiro de 2026 às 14:26
Antes de receber uma visita importante, nada mais compreensível do que arrumar a casa. Por isso, a escultura A Sereia do Rio Vermelho, instalada no Largo da Mariquita, passou por um processo de recuperação antes da Festa de Iemanjá, que acontece nesta segunda-feira (2). >
O processo de recuperação foi conduzido pelo artista plástico José Dirson Argolo, através da Fundação Gregório de Mattos (FGM), responsável pela preservação do patrimônio artístico de Salvador. >
Instalada no Largo da Mariquita, no Rio Vermelho, a obra é uma das referências da arte pública de Salvador e integra o conjunto de esculturas de temática afro-religiosa deixado pelo artista plástico baiano Tatti Moreno, que morreu em julho de 2022, aos 77 anos. >
Escultura de Iemanjá é restaurada em Salvador
O presidente da FGM, Fernando Guerreiro, celebrou a preservação do monumento. “A requalificação da Sereia do Rio Vermelho reafirma o compromisso da FGM com a preservação da arte pública e com a valorização da cultura afro-baiana, mantendo viva a relação de Salvador com o mar e com a força simbólica de Iemanjá”, afirmou.>
A imagem representa Iemanjá, orixá das águas salgadas, com elementos simbólicos como o abebé, em forma de estrela, além de referências à fecundidade feminina e à abundância dos peixes da Baía de Todos-os-Santos.>
O processo de restauração durou dez dias e incluiu a limpeza completa da escultura, com uso de produtos químicos e instrumentos específicos, aplicação de material de proteção e repintura no tom original definido pelo autor. Quem explica é o artista plástico José Dirson Argolo, professor da Escola de Belas-Artes da Universidade Federal da Bahia (Ufba). >
“Utilizamos tinta automotiva dourada, mais resistente ao sol e à chuva do que tintas convencionais”, relatou o artista. No pedestal, foi feita a reconstituição das partes danificadas com o mesmo tipo de material, além do fechamento de lacunas, recuperação da parte superior e aplicação de verniz.>
Por se tratar de uma escultura em fibra de vidro, a peça sofre menos com a ação das intempéries e da maresia do que obras em ferro ou bronze, mais vulneráveis à corrosão. >
“Ainda assim, ela apresentava desgastes na pintura, manchas, pichações e colagem de cartazes publicitários no pedestal. A parte mais comprometida era justamente o pedestal, feito em concreto com acabamento em cimento liso, sem pintura, que apresentava muitas perfurações e estava bastante danificado, sobretudo na parte superior”, explicou.>
Milhares de pessoas são esperadas neste final de semana no Rio Vermelho, onde acontecem as principais celebrações da Festa de Iemanjá. Apesar de o dia oficial ser na segunda-feira (2), a expectativa é que a movimentação no bairro aumente a partir desta sexta (30). >