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Ciência prova que aliança entre abelhas e elefantes reduziu conflitos e mortes em lavouras

Estratégia baseada em colmeias usa o medo natural dos elefantes para reduzir conflitos no campo e gerar renda para comunidades rurais na África e na Ásia

  • Foto do(a) author(a) Agência Correio
  • Agência Correio

Publicado em 25 de fevereiro de 2026 às 07:00

Cercas de colmeias instaladas em áreas próximas ao Parque Nacional de Tsavo Oriental, no Quênia, afastam elefantes das plantações e ajudam agricultores a proteger a produção sem recorrer à violência.
Cercas de colmeias instaladas em áreas próximas ao Parque Nacional de Tsavo Oriental, no Quênia, afastam elefantes das plantações e ajudam agricultores a proteger a produção sem recorrer à violência. Crédito: Foto: Banco de imagem

Imagine um gigante de sete toneladas, um dos animais mais imponentes da Terra, recuando imediatamente ao ouvir um simples zumbido.

O que parece uma cena de desenho animado é uma realidade que está transformando a convivência entre humanos e a vida selvagem em países como Quênia, Moçambique e Tailândia.

As abelhas são fundamentais para o equilíbrio dos ecossistemas por Imagem: Daniel Prudek | Shutterstock

Nessas regiões, o avanço da agricultura sobre rotas migratórias históricas criou um cenário de guerra: elefantes invadem plantações em busca de alimento, gerando prejuízos econômicos e encontros fatais para ambos os lados.

Entre 2010 e 2017, apenas no Quênia, mais de 200 pessoas morreram nesses conflitos, enquanto dezenas de elefantes são abatidos anualmente em retaliação.

O instinto que vira barreira

A solução para esse impasse veio da própria natureza. Agricultores locais notaram que os elefantes evitavam árvores que abrigavam colmeias.

A ciência, por meio de organizações como a Save the Elephants e a Universidade de Oxford, confirmou a teoria: apesar da pele espessa, os elefantes têm áreas extremamente sensíveis a picadas, como a tromba, os olhos e a parte interna das orelhas.

O medo é tão real que os elefantes desenvolveram vocalizações específicas para alertar seus grupos sobre a presença de abelhas.

Esse instinto de preservação deu origem às "cercas de colmeias": sistemas simples onde caixas de abelhas são penduradas em postes e conectadas por fios.

Quando um elefante tenta atravessar a barreira, o movimento ativa as abelhas, fazendo com que o animal se afaste imediatamente.

Resultados que vão além da proteção

Os números mostram que a estratégia não é apenas criativa, mas altamente eficiente. No Parque Nacional de Tsavo Oriental, no Quênia, o índice de dissuasão chegou a 86% durante os períodos de colheita.

Mas o benefício não para na segurança das plantações. As comunidades descobriram no sistema uma nova fonte de prosperidade:

  • Produção de mel: A comercialização do "mel de elefante" gera renda extra para as famílias rurais.

  • Polinização: A presença das abelhas melhora o rendimento das culturas e ajuda na regeneração da vegetação nativa ao redor.

  • Baixo custo: Por serem feitas com materiais locais, as cercas são acessíveis para comunidades com poucos recursos.

O desafio do clima

Apesar do sucesso, o sistema enfrenta um inimigo silencioso: as mudanças climáticas. Secas prolongadas e o uso de pesticidas reduzem a atividade das abelhas e a floração, o que pode enfraquecer a barreira natural em anos críticos.

Por isso, pesquisadores reforçam que as colmeias devem ser aliadas a outras medidas de monitoramento comunitário.

No fim, a lição que fica dessas "guardiãs improváveis" é a de que a coexistência entre o progresso humano e a conservação da fauna não precisa ser um campo de batalha.

Às vezes, a solução para os maiores problemas do mundo pode vir do menor e mais constante dos zumbidos.