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Entenda a crise que levou o Irã à maior onda de protestos desde 1979 e como isso nos atinge

Repressão já deixou pelo menos 2 mil mortos, mulheres marcham em várias cidades do mundo, Trump promete “ajuda” e impõe tarifa de 25%, enquanto regime tenta conter revolta com prisões e apagão digital

  • Foto do(a) author(a) Flavia Azevedo
  • Flavia Azevedo

Publicado em 13 de janeiro de 2026 às 21:44

Protestantes foram mortos no Irã
Protestantes foram mortos no Irã Crédito: Reprodução

Nas ruas de Teerã, o regime iraniano enfrenta seu maior desafio desde a “Revolução de 1979”. Enquanto o mundo tenta enxergar através de um bloqueio de internet quase total, relatos de hospitais sobrecarregados, prisões em massa e uso excessivo da força pintam um cenário de crise humanitária aguda.

Em meio ao caos, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, lançou um alerta que reverbera tanto nas capitais ocidentais quanto nos gabinetes de Teerã: “a ajuda está a caminho”. A declaração, embora carente de detalhes, ocorre no momento em que, de acordo com a agência de notícias Reuters, um membro do governo iraniano afirma que o número de mortos chegou a 2.000 pessoas, incluindo civis e agentes de segurança.

Protestos tomas as ruas de Teerã por Reprodução

Labirinto do poder

Para compreender a gravidade do momento, é necessário entender que o Irã opera sob um sistema teocrático estabelecido em 1979, onde a autoridade máxima pertence ao Líder Supremo, o aiatolá Ali Khamenei, de 86 anos. Embora exista um presidente eleito - atualmente Masoud Pezeshkian - seus poderes são limitados, e as decisões sobre segurança e política externa são controladas pelo clero e pelo Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica. O regime enfrenta agora uma combinação explosiva de crise econômica, desgaste político e indignação pelas restrições às liberdades sociais, ampliada pelos efeitos de prolongadas sanções internacionais.

Os protestos começaram no final de dezembro, em meio à rápida deterioração do poder de compra da população, impulsionada pela desvalorização do rial (moeda local) e pela inflação elevada. O movimento ganhou uma força simbólica quando os "bazaaris" - comerciantes dos tradicionais mercados de Teerã, historicamente leais ao regime - fecharam suas portas em greve. O que começou como uma reação à inflação rapidamente se transformou em um questionamento direto à legitimidade do sistema teocrático.

Fator Trump

Nesta terça-feira (13) o presidente dos Estados Unidos disse aos iranianos para continuarem protestando e afirmou que a "ajuda está a caminho", afirmando também que os responsáveis pela repressão “pagarão um preço muito alto”. Em resposta, o chefe de segurança nacional do Irã, Ali Larijani, chamou Trump de um dos "principais assassinos do povo iraniano" em uma publicação no X.

A natureza da “ajuda” prometida pelo presidente dos EUA permanece ambígua. De acordo com veículos da imprensa internacional, discussões internas no governo americano incluem desde ações militares contra instalações estratégicas iranianas até operações cibernéticas e apoio tecnológico à comunicação de grupos opositores.

Paralelamente, Washington anunciou a imposição de uma tarifa de 25% sobre países que mantiverem relações comerciais com o Irã, ampliando a pressão econômica e criando tensão com parceiros estratégicos como China e Alemanha, além de gerar efeitos colaterais no comércio global.

Muralha de Teerã

Segundo a mídia estatal IRIB, as autoridades iranianas prenderam centenas de pessoas sob a acusação de vínculos com agências de inteligência estrangeiras, como a CIA (EUA) e o Mossad (Israel). O presidente Masoud Pezeshkian afirmou que, embora protestos pacíficos sejam tolerados, os distúrbios recentes seriam obra de “terroristas e agitadores” financiados do exterior com o objetivo de desestabilizar o país.

A Rússia classificou as declarações americanas como “chantagem” e advertiu que qualquer intervenção militar teria “consequências desastrosas” para a segurança global. O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, declarou que o país está pronto para negociações, mas também para a guerra.

As mulheres

Um elemento central da crise é a participação feminina, herdeira direta do movimento “Mulher, Vida, Liberdade”, que sacudiu o país em 2022. Embora a atual onda de protestos tenha forte motivação econômica, a ruptura geracional é determinante: quase metade da população iraniana nasceu após 1979 e não se identifica com os valores impostos pelo regime religioso.

A repressão tem sido particularmente severa contra jovens. Organizações de direitos humanos relatam julgamentos sumários, prisões arbitrárias e sentenças como forma de intimidação, embora o volume exato de condenações à morte permaneça difícil de confirmar.

Em cidades como Londres e Paris, centenas de mulheres iranianas no exílio marcharam em solidariedade às que permanecem no país, denunciando a violência estatal e pedindo o fim do regime teocrático.

Impacto no Brasil

O Banco Mundial avalia que a economia iraniana deve enfrentar retração prolongada, pressionada pela queda na produção de petróleo e pelo endurecimento das sanções.

A decisão de Trump de impor tarifas secundárias também gera apreensão no Brasil. Dados divulgados pelo G1 indicam que as exportações brasileiras para o Irã somaram cerca de US$ 2,9 bilhões em 2025, concentradas em milho, soja e açúcar, o que expõe o país a impactos indiretos da escalada de tensões.

O Itamaraty divulgou nesta terça-feira (13) uma nota em que afirma que o Brasil vê “com preocupação” a evolução dos protestos no Irã.

Comunicação

A tentativa do regime de isolar o país por meio do corte de internet encontra brechas tecnológicas: relatos da BBC Persian indicam que kits clandestinos do serviço Starlink, de Elon Musk, vêm sendo usados para enviar vídeos e áudios ao exterior, apesar dos esforços das autoridades para localizar e apreender esses equipamentos.

Por @flaviaazevedoalmeida , com agências