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Juliana Rodrigues
Publicado em 19 de março de 2026 às 05:33
O Supremo Tribunal Federal (STF) enfrenta um dos momentos de maior pressão institucional de sua trajetória. Pressionada por polêmicas recentes envolvendo decisões e condutas de ministros, a Corte viu o debate jurídico ser atropelado por uma crise de credibilidade que vem sendo apontada por pesquisas e especialistas.
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STF e seus ministros
Atualmente, o desafio dos ministros transcende os autos, representa um enfrentamento do desgaste de imagem perante a opinião pública. Em um cenário de alta voltagem política, o Tribunal tenta se equilibrar entre decisões contestadas, a apresentação recorrente de pedidos de impeachment no Congresso e a necessidade de recompor sua autoridade perante a sociedade, tema recorrente em análises e pesquisas recentes.
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Sob o peso de novos fatos revelados em investigações recentes, nomes como os dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli voltaram a dominar as manchetes dos principais veículos do país. No entanto, mesmo antes do ápice dessas revelações, a pressão parlamentar já era elevada. Levantamento com base em pedidos protocolados no Senado Federal mostra que o ministro Moraes concentra 47 solicitações de impeachment, seguido por Gilmar Mendes, com 13, Dias Toffoli, com 12, e Edson Fachin, com 5 registros.
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O Supremo é a instância máxima do Judiciário brasileiro, atuando como o guardião da Constituição. É papel fundamental da Corte processar e julgar, nos termos da Constituição, infrações penais de autoridades como membros do Congresso e, mediante autorização da Câmara, o Presidente da República. Contudo, quando a reputação dos integrantes de uma cúpula tão vital é colocada à prova, crescem os alertas sobre riscos institucionais, potencializados por se tratar de um ano eleitoral.
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Episódios recentes em Brasília indicam aumento da tensão institucional, manifestando-se tanto na virulência das redes sociais quanto no tom elevado das discussões em plenário. Recentemente, o ministro Flávio Dino fez críticas públicas a ofensas virtuais durante sessão, enquanto Alexandre de Moraes viu-se envolvido em um episódio de discussão com brasileiros em um aeroporto na Itália.
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Para o colunista do UOL, Josias de Souza, o cenário mudou drasticamente. “Aquela pregação em favor do impeachment era vista como um grande absurdo durante a gestão Bolsonaro. Hoje, tornou-se algo sobre o qual, segundo o colunista, o tema passou a ganhar espaço no debate público, a conveniência de incluir na agenda o eventual afastamento de ministros do Supremo”, afirma em coluna recente.
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O avanço de apurações recentes da Polícia Federal tem sido apontado por analistas como um fator de pressão sobre o Supremo, que enfrenta dificuldades para conter o desgaste de imagem. Em uma tentativa de resposta, o ministro Edson Fachin saiu em defesa da criação de um “código de conduta”. Segundo o analista de política Pedro Venceslau, em análise na CNN Brasil, o ministro tem enfrentado resistência interna ao tentar convencer seus colegas a adotarem um conjunto mais rígido de regras éticas.
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A divulgação fragmentada de informações de investigações da Polícia Federal, apontada por analistas, tem sido vista como fator que fragiliza a narrativa de defesa da Corte. Josias de Souza destaca ainda que ignorar o problema não o faz sumir. “O Supremo está fingindo que os fatos não existem. Só que quem ignora a realidade não faz a realidade sumir. Cada gota despejada no noticiário a respeito desse relatório torna o Supremo vítima do seu próprio silêncio”, afirma, em coluna recente.
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