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Yan Inácio
Publicado em 11 de novembro de 2025 às 17:10
Mantendo viva a arte milenar do teatro de sombras, o espetáculo “Rainha Vashti” estreia na próxima quinta-feira (13) no Museu de Arte Moderna (MAM), em Salvador. A temporada terá doze apresentações, sempre às quintas e sextas-feiras, até o dia 12 de dezembro com sessões às 18h30 e 20h. >
Os ingressos custam R$ 40 e R$ 20 (meia-entrada) e podem ser adquiridos pela plataforma Sympla. A montagem é uma adaptação da obra literária da escritora Myriam Fraga (1937-2016) com direção e criação das figuras de sombra a cargo de Olga Gómez. A encenação conta ainda com narração de Rita Assemany, consultoria de Marcus Sampaio e direção musical de Uibitu Smetak.>
Espetáculo Rainha Vashti
Para Olga, unir teatro de sombra com poesia fará com que o público tenha uma experiência emotiva bastante singular e potente. “Enquanto a poesia nos torna sempre mais perspicazes e atentos, o teatro de sombras é uma arte dedicada aos sentidos, que permite a participação completa do espectador”, explica a diretora.>
Rainha Vashti é a quarta montagem do Grupo A RODA com os poemas de Myriam Fraga. “Ainda em vida, Myriam nos confiou esse maravilhoso poema lírico no qual ela trabalhou por muito tempo. Chegou o momento de cumprirmos a promessa que fizemos a ela e encená-lo pela primeira vez, o que é também uma homenagem à memória da poeta”, afirma Gómez.>
O enredo da peça narra a saga da lendária rainha Vashti, esposa do rei Ashuero, a partir de um relato bíblico. Considerada a mulher mais bela do império persa, Vashti ousa desobedecer à ordem do monarca para dançar na frente dos convidados em um banquete real e é, para sempre, banida da corte. A sua recusa é vista por muitos como um ato de integridade e coragem diante do poder supremo do rei, embora com consequências pessoais severas.>
O conselho dado pelos governadores persas para banir Vashti tinha como objetivo reforçar a autoridade dos homens sobre as mulheres em todo o império, mas, ironicamente, o efeito não foi exatamente o calculado. O grito de Vashti, assim, lança um esboço de rebelião à vida da época, fazendo tremer as bases do reinado. O espetáculo fala do silenciamento da voz feminina como metáfora para a fragilidade do poder.>