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Carol Neves
Bruno Wendel
Publicado em 22 de janeiro de 2026 às 09:05
Depois de uma sequência de homicídios que espalhou medo entre os moradores, a cidade de Ipiaú, no interior da Bahia, passou a contar com reforço policial intensificado por tempo indeterminado. A Polícia Militar da Bahia mantém em andamento a Operação Dominus Areae, voltada ao enfrentamento direto das organizações criminosas que atuam no município, informou a Secretaria da Segurança Pública (SSP) nesta quinta-feira (220>>
Durante a madrugada , equipes especializadas ampliaram o patrulhamento em áreas consideradas mais sensíveis. A ação envolve equipes da Cipe Central, da 55ª Companhia Independente da Polícia Militar, da Rondesp, além de efetivos do Batalhão de Choque (BPChoq), do Batalhão de Patrulhamento Tático Móvel (BPatamo) e do Grupamento Aéreo (Graer). As abordagens foram intensificadas, assim como as incursões a pé e as rondas motorizadas.>
Fim de trégua: guerra entre PCC e CV deixa pelo menos sete mortos em Ipiaú
Segundo o comandante do Comando de Policiamento Regional (CPR) Médio Rio de Contas, coronel Wagner Luiz Alves Ferreira, o objetivo é reduzir os Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLIs), combater o tráfico de drogas e enfraquecer a atuação de grupos criminosos que disputam território na cidade.>
“As unidades permanecem, por tempo indeterminado, reforçando o combate aos Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLIs), além de coibir a comercialização de drogas e enfraquecer a atuação dos grupos criminosos, assegurando a preservação da ordem pública”, afirmou o comandante. Ele acrescentou: “A partir do trabalho ostensivo e do mapeamento das áreas mais sensíveis, estamos fortalecendo a eficiência das ações e ampliando a sensação de segurança da população na região. Não descansaremos enquanto não capturarmos todos os responsáveis pelos crimes”.>
A intensificação do policiamento ocorre após um fim de semana marcado por violência extrema. Em pouco mais de 48 horas, ao menos sete pessoas foram assassinadas em diferentes bairros de Ipiaú. A maioria das vítimas foi executada dentro de casa, o que reforçou o clima de insegurança entre os moradores.>
Rompimento de trégua entre facções>
Investigações apontam que o estopim da violência teria sido o rompimento de uma trégua firmada anteriormente entre o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV). Embora a Polícia Militar tenha informado inicialmente que os crimes estariam ligados a uma disputa interna de um grupo criminoso, essa versão é contestada por moradores e até por agentes das forças de segurança que atuam na região.>
Ipiaú é apontada como território majoritariamente dominado pelo PCC, enquanto o bairro Santa Rita, um dos mais violentos da cidade, seria controlado pelo CV. Após operações policiais recentes no município e ações realizadas em novembro do ano passado em cidades como Porto Seguro - onde empresas de fachada teriam sido usadas para lavagem de dinheiro do PCC -, as facções teriam firmado um acordo para evitar novas ofensivas da Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA).>
Esse pacto, no entanto, teria sido quebrado há cerca de um mês. “Um grupo independente, mas ligado ao PCC, comprou drogas de uma facção filiada ao CV. Para eles, isso é imperdoável. A morte é certa”, relatou um policial, sob condição de anonimato. Ainda conforme a fonte, ordens do PCC estariam partindo de uma ala do Conjunto Penal de Jequié, enquanto determinações do CV seriam repassadas de um presídio em Santa Catarina, onde está custodiado o líder conhecido como “Juca Playboy”.>
O medo se espalhou rapidamente pela cidade. “Desde que essa trégua foi quebrada, surgiram pessoas que não são daqui em vários pontos de Ipiaú. Tem gente com sotaque do Rio e de São Paulo que veio para essa guerra”, relatou um morador.>
Sequência de homicídios>
O primeiro assassinato foi registrado na sexta-feira (16), por volta das 21h30, na Rua Dr. Prevenildo, no bairro Euclides Neto. Nerivaldo Santos Damascena Barbosa, de 20 anos, conhecido como “Luizinho”, foi baleado a poucos metros de casa. Moradores disseram ter ouvido cerca de quatro disparos e, em seguida, o som de uma motocicleta deixando o local.>
Na madrugada de sábado (17), por volta das 3h30, Valmir Santos da Cruz, de 35 anos, o “Sapo”, foi morto após criminosos invadirem sua residência na Avenida João Durval Carneiro, no bairro Santana, nas proximidades da Academia dos Idosos. Testemunhas relataram pelo menos oito tiros.>
Ainda no sábado, por volta das 23h40, Gentil Fróis de Oliveira, de 36 anos, conhecido como “Bode”, foi executado dentro de casa, na Segunda Travessa dos Cometas, perto do Rio de Contas, na área central do município.>
A madrugada de domingo (18) foi marcada por mais crimes. Por volta das 2h30, Vinícius Costa da Silva, de 26 anos, o “Vini”, foi morto dentro do próprio quarto, após três homens armados invadirem a residência, na Rua Joana Henrique, no bairro Euclides Neto. Cerca de duas horas depois, às 4h15, Iago Lima dos Santos, de 20 anos, morador do distrito de Japomirim, foi assassinado nas imediações de um bar, na Praça de Eventos Álvaro Jardim.>
No período da tarde, o sexto homicídio ocorreu no bairro Dois de Dezembro. Edmarques Batista dos Santos, de 26 anos, conhecido como “Gaso”, foi morto a tiros próximo a um bar. Já por volta das 22h, o sétimo assassinato voltou a chocar o bairro Euclides Neto. Um adolescente de 15 anos, identificado pelo prenome Ítalo, foi perseguido, alcançado e baleado dentro da casa de um vizinho, na Rua José Cidreira.>
Prisões e ações policiais>
Em nota, a Polícia Militar informou que as ações ostensivas seguem sem prazo para encerramento. No domingo (18), um homem de 33 anos foi preso no bairro Euclides Neto após cometer um homicídio. Com ele, os policiais apreenderam a motocicleta usada no crime.>
No sábado (17), outros três homens foram detidos no bairro do Pau d’Arco, com dois revólveres. Um dos suspeitos assumiu ser dono das armas e confessou envolvimento em homicídios ocorridos durante o fim de semana.>
“As diligências seguem ininterruptamente pela Polícia Militar para alcançarmos e prendermos todos os envolvidos. [..] As circunstâncias e motivações estão em apuração pelas autoridades competentes”, afirmou o major Dalmo, comandante da 55ª Companhia Independente da Polícia Militar.>