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Nem o Litoral Norte escapa: Bahia tem mais de 110 praias impróprias para banho; veja lista

Na Costa dos Coqueiros, apenas dois dos 25 pontos balneáveis estão próprios para banho

  • Foto do(a) author(a) Larissa Almeida
  • Larissa Almeida

Publicado em 27 de janeiro de 2026 às 05:30

Praia de Itacimirim
Praia de Itacimirim Crédito: Divulgação

Aqueles que costumam pegar a Estrada do Coco em busca de refúgio nas águas quentes do Litoral Norte precisarão redobrar os cuidados. É que, assim como em Salvador, a maioria das praias da região está imprópria para banho. De 25 pontos balneáveis, apenas dois têm condições de uso recreativo, segundo boletim recente do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema). O problema também se estende para as demais regiões da costa baiana que, ao total, possuem mais de 110 praias sem adequação para banho justo no ápice do verão.

No Litoral Norte, Baixio e Costa Azul são os únicos dois pontos que se salvam. Praias que são destinos turísticos, como Guarajuba, Vilas do Atlântico, Busca Vida, Itacimirim, Praia do Forte e Jauá, estão classificadas como impróprias. Na Costa do Descobrimento, o mesmo acontece em Arraial d’Ajuda e na Coroa Vermelha, assim como em outros seis pontos. Já na Costa do Cacau, dez praias não são indicadas para banho, dentre elas Itacaré e Barra de São Miguel.

Balneabilidade das praias da Costa dos Coqueiros, no Litoral Norte por Reprodução/Inema

Na Baía de Todos os Santos, somente Cacha-Prego e Itaparica têm condições de balneabilidade de um total de 27 praias. Seguindo para o sul do estado, a situação dá indícios de melhora. Na Costa do Dendê, somente três das oito praias estão classificadas como impróprias, sendo que duas delas estão localizadas em Morro de São Paulo e outra na Gamboa. Na Costa das Baleias, no entanto, o cenário volta a ficar desfavorável para os banhistas, com apenas uma das oito praias com possibilidade de uso recreativo.

Problema sanitário

De acordo com Diego Marinho, engenheiro ambiental e sanitarista, praias essencialmente turísticas que estão impróprias para banho evidenciam o sintoma de saneamento insuficiente e ocupação desordenada. “Os principais motivos para isso são esgoto sem tratamento adequado, drenagem urbana deficiente, explosão imobiliária, turismo sem suporte, lançamento de efluentes em rios que deságuam nas praias, além de gestão de resíduos com falhas e muitas pessoas ao mesmo tempo no local na alta estação”, aponta.

Ele frisa que uma praia só deixa de ser indicada para banho por poluição, falha de infraestrutura ou por falta de gestão competente. “Isso pode ser evitado com investimento em coleta e tratamento de esgoto, melhoria na gestão de resíduos, controle ambiental através de fiscalização e aplicação de multas em empreendimentos e pessoas que causarem poluição; além disso, é necessária uma governança competente com um olhar no saneamento, sustentabilidade e saúde humana”, acrescenta Diego.

Em Salvador, os 37 pontos que estão impróprios para banho apresentaram, na mais recente análise do Inema realizada nas últimas cinco semanas, o reflexo do aumento significativo do uso recreacional das praias em função do prolongamento dos feriados de Natal e Ano Novo. “Esse cenário, aliado à ocorrência de chuvas ocasionais em Salvador e na Região Metropolitana, favoreceu o carreamento de material orgânico para rios, lagoas e para o mar, impactando negativamente a qualidade das águas”, disse a pasta, em nota anterior enviada ao CORREIO.

Além desse motivo, a população soteropolitana tem reclamado, há anos, do tratamento inadequado do esgoto, sistema de drenagem deficitário e de rios poluídos que deságuam no mar da capital baiana. Entre as praias afetadas por esses problemas, estão a de Roma, Stella Maris, Itapuã, Costa Azul, Boca do Rio, Rio Vermelho, Paciência, Ondina e Porto da Barra. No entanto, há queixas do mesmo transtorno em cidades como Camaçari e Lauro de Freitas.

Em nota, a Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa) disse que a balneabilidade das praias é decorrente das condições ambientais dos rios urbanos. No que diz respeito à gestão das redes de drenagem de água de chuva e da coleta de lixo, afirmou que estas são atribuições das prefeituras municipais.

Quanto ao esgoto, a Embasa esclareceu que os sistemas operados pela empresa promovem a destinação segura de todo o esgoto coletado, seguindo rigorosamente as normas ambientais. “Hoje, Salvador conta com mais de 88% de cobertura do serviço de esgotamento sanitário, o maior percentual entre as capitais do Norte e Nordeste”, ressaltou.

Ainda, acrescentou que já investiu mais de R$ 1,25 bilhão em sistemas de esgotamento sanitário em diversos municípios baianos. “Hoje, a empresa tem 12 obras em andamento, em cidades como Jequié, Ilhéus, Irecê, Senhor do Bonfim e Vitória da Conquista. Recentemente, a empresa autorizou novas obras em Lençóis, na Chapada, e Brejolândia, no Oeste. Com a captação de recursos do novo PAC, mais obras estão previstas em Salvador, Feira de Santana, Eunápolis, Lauro de Freitas, Brumado e Pojuca”, completou.

Impactos e riscos

Na prática, a falta de condição favorável à balneabilidade de determinadas praias é um problema sanitário não apenas porque prejudica o lazer de locais e turistas, mas também porque pode desequilibrar a saúde de mais de um ecossistema, o que inclui impactos para a saúde humana.

“Quando a água está imprópria, geralmente há contaminação por esgoto, ou seja, presença de fezes com níveis altos de coliformes fecais. Isso significa gastroenterites, ou seja, diarreia, vômito e febre”, alerta o engenheiro ambiental e sanitarista Diego Marinho.

Por conta do contato direto, há risco de infecções na pele e nos olhos, bem como outras dermatites, que são inflamações que afetam as camadas mais superficiais da pele, causando coceira, vermelhidão e descamação. Em grupos mais vulneráveis, como crianças, o alerta é quanto à ingestão de água poluída enquanto se brinca no mar, que pode resultar não só em gastroenterites, como também em verminoses, hepatite A, leptospirose e até cólera, nos cenários mais críticos.

Uma praia imprópria para banho também é um estresse ecológico, com impacto na vida marinha. “Esgoto e matéria orgânica em excesso se decompõem e consomem o oxigênio da água. Daí peixes, camarões, siris e moluscos sufocam, podendo haver mortandade em massa. Outra coisa é a eutrofização. Nesse caso há uma explosão de algas. O nitrogênio e fósforo do esgoto funcionam como fertilizante e causam essa proliferação, além de água turva e bloqueio de luz solar”, diz Diego Marinho.

O Inema foi procurado pela reportagem para esclarecer quais as condições que levaram a maior parte da costa baiana a estar sem condições de balneabilidade, mas não retornou. O espaço continua aberto.