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Wendel de Novais
Publicado em 23 de maio de 2025 às 08:25
Onze dias depois de perder o filho, o motorista de aplicativo Weverton Antônio dos Santos, 25 anos, que foi morto e esquartejado por traficantes, Nalva Ramos, 48, mal consegue falar do assunto sem ir às lágrimas. Weverton, chamado por ela de ‘Nenê’, estava morando com os pais no centro de Eunápolis, no Extremo-Sul da Bahia. No último dia 13 de maio, no entanto, ele saiu de casa para não mais voltar. >
Como ele dormia na casa da namorada em alguns dias, só na manhã seguinte que a família soube do crime bárbaro praticado com ele. “A gente viu que ele não voltou, mas meu filho trabalhava de motorista de app e rodava muito. Alguns dias, dormia com a namorada. De manhã, o meu outro filho me ligou e disse que tinha recebido vídeo dele todo cortado. Eu logo achei que era um acidente, que eu iria no hospital, mas fui para a delegacia”, lembra Nalva, ainda muito abalada.>
Weverton Antônio dos Santos
No local, ela viu o vídeo que familiares e policiais tinham recebido e dava certeza da morte de Weverton. “Foi a última coisa que vi dele. É inexplicável, não conseguia acreditar porque ele não tinha problema com ninguém e nunca foi ameaçado. Meu filho era um menino bom e prestativo. Ele não foi morto, fizeram algo muito pior com ele. Não merecia isso”, fala Nalva, sem conseguir segurar o choro ao lembrar das imagens que viu do seu filho.>
O motorista de app começou, de maneira recente, a frequentar o bairro Alecrim, em Eunápolis. A principal linha de investigação aponta que ele teria sido sequestrado, torturado e decapitado por traficantes, como o Correio informou em reportagem. Familiares e amigos, no entanto, fizeram um protesto pacífico na Câmara dos Vereadores de Eunápolis cobrando uma resolução para o crime. >
A mãe de Weverton afirma que vê as investigações sem avanço. “Onze dias e parece que não tem nada. A gente pergunta e não ouve algo que nos faça acreditar que teremos Justiça. Atiraram no carro de um diretor do presídio aqui e, em menos de 24 horas, acharam quem fez. Por que não tem essa rapidez com o caso do meu filho? Estamos sofrendo demais e eu nem tive a oportunidade de ter o corpo do meu filho para enterrar”, reclama Nalva.>
O caso citado por ela é o atentado registrado contra o carro de Jorge Magno Alves Pinto, diretor do presídio de Eunápolis, na noite da última terça-feira (20). O carro do gestor foi alvo de vários tiros após ele receber ameaças de morte. No entanto, só quem estava no veículo era o motorista de Jorge, que está em estado grave. Na manhã da quarta-feira (21), pouco mais de 12h depois do crime, o principal suspeito foi preso a 50km da cidade, enquanto tentava fugir.>
O caso de Weverton é investigado pela Delegacia Territorial de Eunápolis, que está apurando as circunstâncias, autoria e motivação do homicídio. Guias para remoção e perícia foram expedidas e oitivas e diligências foram realizadas para esclarecer a morte do motorista de transporte por aplicativo. No entanto, nenhum suspeito foi preso até o momento.>