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Carol Neves
Agência Brasil
Publicado em 28 de janeiro de 2026 às 07:48
O Banco do Nordeste (BNB) interrompeu temporariamente as transações via Pix enquanto investiga um ataque cibernético identificado em sua infraestrutura tecnológica. A suspensão, segundo a instituição, tem caráter preventivo e busca garantir a retomada do serviço em ambiente totalmente seguro. >
O incidente foi comunicado ao mercado por meio de fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). De acordo com o banco, o problema foi detectado nesta terça-feira (27), o que levou à ativação imediata dos protocolos de segurança. Até o momento, não há sinais de comprometimento de dados de clientes nem de impacto direto nas contas.>
A apuração inicial aponta que o ataque ocorreu a partir de uma empresa terceirizada que presta serviços de tecnologia da informação ao banco. A ação envolveu uma chamada conta-bolsão — mecanismo que concentra recursos de diversos usuários em uma única conta, sem identificação individualizada dos titulares. O montante eventualmente desviado ainda está sendo levantado pelas equipes técnicas.>
O PIX é o modo de pagamento preferido no Brasil
“Para uma análise mais detalhada das causas do evento e seus impactos, o serviço Pix está suspenso temporariamente”, informou o BNB, ao destacar que mantém diálogo permanente com o Banco Central (BC) durante o processo de investigação.>
O banco afirmou ainda que trabalha para restabelecer as operações “o mais breve possível” e reforçou o compromisso com a segurança da informação e a transparência, prometendo novas atualizações conforme o avanço das análises.>
Até o momento, o Banco Central, responsável pela supervisão do sistema Pix, não se pronunciou oficialmente sobre o caso. Dados da própria autoridade monetária indicam que esta é a primeira ocorrência do tipo envolvendo o Banco do Nordeste desde a criação do sistema. Ao final de 2025, a instituição somava pouco mais de 11 milhões de clientes.>
O episódio reacende o alerta sobre a vulnerabilidade de prestadores de serviços terceirizados no setor financeiro. Desde o ano passado, ataques a esses intermediários têm se intensificado, justamente por funcionarem como um elo mais sensível da cadeia tecnológica, permitindo que criminosos contornem as defesas mais robustas dos grandes bancos.>
A ocorrência acontece em meio ao aumento dos investimentos em cibersegurança no sistema financeiro, impulsionado tanto pela digitalização dos serviços quanto pela consolidação do Pix como principal meio de pagamento do país. No ano passado, o BC chegou a excluir do sistema Pix diversas empresas fornecedoras de serviços e endureceu as exigências de segurança para instituições de pagamento.>
Ainda não há uma data definida para a normalização completa do Pix no Banco do Nordeste. A liberação do serviço dependerá da conclusão das análises técnicas e da validação dos sistemas afetados, em conjunto com o Banco Central, para assegurar que as transações sejam retomadas sem riscos adicionais aos clientes ou ao sistema financeiro.>