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Síndico confessa crime e diz que matou corretora após discussão no subsolo de prédio

Corpo foi encontrado já em estado de ossada em área de mata nos arredores da cidade

  • Foto do(a) author(a) Carol Neves
  • Carol Neves

Publicado em 28 de janeiro de 2026 às 08:29

Síndico confessou crime e indicou onde estava corpo de corretora
Síndico confessou crime e indicou onde estava corpo de corretora Crédito: Reprodução

O síndico Cléber Rosa de Oliveira confessou à Polícia Civil que matou a corretora Daiane Alves Souza, de 43 anos, durante uma discussão descrita por ele como “calorosa”, ocorrida no subsolo do condomínio onde ambos estavam, em Caldas Novas, no sul de Goiás. O corpo da vítima foi localizado em estado de ossada abandonado a cerca de 15 quilômetros da cidade, segundo informações da TV Anhanguera, afiliada da TV Globo em Goiás.

De acordo com o relato feito pelo síndico à polícia, o crime ocorreu no dia 17 de dezembro de 2025, quando Daiane desceu ao subsolo do prédio para tentar restabelecer a energia elétrica de seu apartamento. Cléber afirmou que os dois discutiram no local e que, em meio ao desentendimento, ele acabou cometendo o homicídio, dizendo ter agido sozinho. As imagens de Daiane descendo no elevador para verificar uma falta de luz são as últimas dela com vida.

Nesse primeiro momento, Cléber alegou que não planejou o crime e que já estava no subsolo quando Daiane chegou para verificar a falta de luz. A maneira usada pelo homem para matar a corretora não foi divulgada. Ele não quis falar com a imprensa na chegada da delegacia. 

Após o crime, ele colocou o corpo na carroceria de picape e saiu de Caldas Novas por uma rodovia estadual, abandonando o cadáver em uma área de mata. Foi ele quem indicou aos investigadores, hoje, onde escondeu o corpo de Daiane. O síndico alega que agiu sozinho, mas a polícia diz que o filho dele, Maykon Douglas de Oliveira, ajudou a acobertar o crime. Maykon foi preso com o pai na manhã de hoje. O porteiro que trabalhava no dia do crime também foi conduzido à delegacia. A reportagem não conseguiu contato com a defesa dos presos.

Policiais durante buscas pelo corpo da corretora Daiane Alves por Divulgação/Polícia Civil

Desaparecimento dentro de prédio

Daiane era natural de Uberlândia (MG) e morava em Caldas Novas havia cerca de dois anos, onde administrava apartamentos da família no condomínio. Na noite do desaparecimento, ela enviou um vídeo a uma amiga informando que o fornecimento de energia do apartamento havia sido interrompido.

"Era normal aqui a gente passar por esse tipo de problema [falta de energia] então, a gente já se prevenia gravando o que estivesse acontecendo", afirmou a mãe dela, Nilse, ao explicar o motivo da gravação ao portal G1.

No vídeo, Daiane mostra o quadro de energia do andar e testa o interruptor, comprovando que o imóvel estava sem luz. A gravação continua enquanto ela entra no elevador e passa pela recepção do prédio.

Cléber Rosa de Oliveira foi preso por Reproduçaõ/TV Globo

Imagens de câmeras de segurança registraram a corretora entrando no elevador às 18h57, ainda gravando o vídeo. Dentro da cabine, ela encontra um homem e comenta que iria ao subsolo para tentar resolver o problema elétrico.

"Todas as minhas contas estão pagas, então não tem motivo da minha energia ter sido rompida", disse Daiane. No mesmo registro, ela levanta a hipótese de que alguém estivesse "brincando de desligar" o disjuntor.

Às 18h58, os dois deixam o elevador. Dois minutos depois, Daiane retorna sozinha à cabine e, em seguida, desce novamente ao subsolo do prédio. Desde então, ela não foi mais vista com vida.

Histórico de desentendimentos

O desaparecimento de Daiane Alves Souza ocorreu após meses de conflitos com o condomínio onde morava e, principalmente, com o síndico do prédio. Segundo o Ministério Público de Goiás, a relação foi marcada por notificações formais, registros de boletins de ocorrência, ações judiciais e sucessivas medidas administrativas adotadas pela gestão condominial. O MP-GO denunciou o síndico por perseguição, com agravante de abuso de função, afirmando que ele teria utilizado o cargo para monitorar Daiane por câmeras internas, submetê-la a constrangimentos frequentes e dificultar sua rotina no edifício.

 Ao todo, corretora tinha 12 processos contra o síndico do prédio. São processos nas áreas cível e criminal, 11 estão em andamento na Justiça e um foi arquivado com sentença favorável a Daiane. Ela também foi alvo de processos e chegou a ser denunciada por violação de domicílio. 

As divergências teriam começado após um desentendimento relacionado à locação de um imóvel com número de hóspedes acima do permitido pelas regras internas do condomínio. A partir disso, a administração passou a apontar supostas irregularidades, como o uso do apartamento para marcenaria e o exercício irregular da corretagem, acusações que Daiane sempre negou. Em abril, ela registrou boletim de ocorrência por violação de domicílio, afirmando que o síndico teria entrado em seu apartamento sem autorização, o que foi confirmado por ele, sob a justificativa de que precisava registrar imagens do imóvel.

Nos meses seguintes, Daiane relatou que estava sendo impedida de trabalhar no condomínio, que funcionários foram orientados a barrar o recebimento de encomendas e que abordagens e discussões na portaria se tornaram recorrentes. Também houve interrupções no fornecimento de energia elétrica do apartamento, apesar de não haver inadimplência, situação que levou a Justiça a determinar a religação e proibir novos cortes enquanto o caso estivesse sob análise.

Em agosto, o conflito atingiu o ápice com a convocação de uma assembleia que deliberou pela expulsão de Daiane do prédio. Apesar da apresentação de defesa por escrito, na qual negou todas as acusações, a maioria dos moradores votou pela saída da corretora e estabeleceu prazo de 12 horas para que ela deixasse o local. A decisão, no entanto, foi suspensa pelo Judiciário após recurso da vítima, sob o entendimento de que ainda havia questionamentos sobre a legalidade da assembleia.

Tags:

Crime Daiane Alves de Souza Corretora