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Delegada acusada de defender PCC é presa em operação

Investigação aponta atuação irregular como advogada, vínculo com facção criminosa e lavagem de dinheiro;

  • Foto do(a) author(a) Carol Neves
  • Carol Neves

Publicado em 16 de janeiro de 2026 às 08:50

Layla Lima Ayub
Layla Lima Ayub Crédito: Reprodução

Uma operação do Ministério Público levou à prisão, nesta sexta-feira (16), de uma delegada recém-empossada da Polícia Civil de São Paulo. Layla Lima Ayub é suspeita de manter relações pessoais e profissionais com integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) e de usar o cargo público para beneficiar a facção criminosa.

A Justiça decretou a prisão temporária de Layla e de seu namorado, Jardel Neto Pereira da Cruz, conhecido como Dedel. Segundo o portal G1, o casal é investigado pelos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro. Ao todo, sete mandados de busca e apreensão foram cumpridos em endereços nas cidades de São Paulo e Marabá, no sudeste do Pará.

Um dos locais alvo da operação foi a Academia da Polícia Civil, no bairro do Butantã, na Zona Oeste da capital paulista, onde a delegada mantinha um armário funcional. A defesa de Layla não foi localizada.

Layla Lima Ayub por Divulgação

Posse recente

Layla tomou posse no cargo em 19 de dezembro do ano passado, durante cerimônia realizada no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo estadual. Na ocasião, imagens divulgadas nas redes sociais mostram que ela estava acompanhada do namorado. Segundo autoridades da Região Norte, Dedel é apontado como integrante do PCC e um dos chefes do tráfico de armas e drogas em Roraima.

As investigações indicam que, mesmo após assumir oficialmente o posto de delegada, Layla teria continuado a atuar de forma irregular como advogada. Em 28 de dezembro - apenas nove dias depois da posse - ela participou de uma audiência de custódia na defesa de um dos quatro integrantes do PCC presos em flagrante pela Polícia Militar em Rondon do Pará, município localizado a 523 quilômetros de Belém.

Essa conduta é vedada tanto pelo Estatuto da Advocacia quanto por normas estaduais, que proíbem delegados de polícia de exercer a advocacia privada. Para os promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), há indícios de que a delegada utilizava o cargo para favorecer interesses da facção, já que tinha acesso a inquéritos policiais e a bancos de dados com informações restritas.

Além disso, o Ministério Público apura a suspeita de que Layla e o companheiro tenham comprado uma padaria no bairro de Itaquera com recursos de origem ilícita. Segundo a investigação, o negócio estaria registrado em nome de um “laranja”, com o objetivo de ocultar a verdadeira propriedade do estabelecimento.

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