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Entenda o tratamento com 'choque' que Bolsonaro vai fazer contra soluços, insônia e depressão

Técnica é usada como complemento terapêutico

  • Foto do(a) author(a) Carol Neves
  • Carol Neves

Publicado em 1 de março de 2026 às 12:03

Jair Bolsonaro
Jair Bolsonaro Crédito: Reprodução

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou o ex-presidente Jair Bolsonaro a se submeter a sessões de estímulo elétrico craniano enquanto estiver preso. A decisão atende a um pedido da defesa, que busca tratar crises de soluço, além de quadros de depressão e insônia. O procedimento, segundo os autos, não se trata de eletroconvulsoterapia (ECT), conhecida popularmente como eletrochoque, mas de uma técnica de neuromodulação com microcorrentes de baixa intensidade aplicada por meio de clipes nas orelhas.

Pelo plano apresentado, Bolsonaro deverá passar pelo procedimento três vezes por semana, acompanhado por um psicólogo e neurocientista. O médico Ricardo Caiado também participará do protocolo. Conforme registrado por Moraes, ele “poderá portar o aparelho utilizado para a aplicação do estímulo elétrico craniano, tais como clipes auriculares bilaterais necessários ao procedimento, devidamente vistoriados pelo estabelecimento”.

Bolsonaro de cueca, em foto postada pelo filho por Reprodução

A equipe médica informou que a técnica tem como finalidade promover “a regulação funcional da atividade neurofisiológica central”. O método utiliza clipes colocados nas duas orelhas para aplicar microcorrentes elétricas. Cada sessão deve durar entre 50 minutos e uma hora, período em que o ex-presidente permanecerá “em repouso consciente“.

O que é o estímulo elétrico craniano (CES)?

Conhecido pela sigla CES (Cranial Electrotherapy Stimulation), o procedimento é uma forma de neuromodulação que emprega correntes elétricas de baixa intensidade para estimular o cérebro. Trata-se de uma técnica não invasiva e indolor, normalmente realizada com pequenos clipes posicionados nas orelhas.

A proposta é reorganizar padrões elétricos cerebrais e equilibrar circuitos ligados ao humor, ao sono e ao funcionamento do sistema nervoso. Diferentemente dos medicamentos, que atuam de forma sistêmica, a neuromodulação age diretamente na atividade elétrica cerebral, buscando ajustar a comunicação entre neurônios.

Pesquisa brasileira indicou melhora em casos de depressão

Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) avaliou pacientes com depressão que não respondiam adequadamente aos tratamentos convencionais. A investigação analisou se a estimulação cerebral poderia reativar áreas com atividade reduzida, condição frequentemente associada ao transtorno.

No experimento, os voluntários receberam sessões de estimulação rápida do tipo theta-burst três vezes ao dia, durante três semanas. Cada aplicação tinha cerca de seis minutos, com intervalos entre elas.

Os resultados mostraram melhora significativa em 52% dos pacientes submetidos ao tratamento ativo, enquanto no grupo que recebeu estimulação simulada a taxa foi de 22%. O estudo utilizou método randomizado, controlado e triplo cego, considerado padrão ouro em pesquisas clínicas. A conclusão foi de que a neuromodulação pode servir como alternativa complementar, especialmente em quadros resistentes à medicação.

Técnica também é alvo de estudos sobre insônia

A aplicação da neuromodulação no tratamento da insônia também vem sendo investigada. Em pesquisa publicada em 2023 no Journal of Sleep Research, adultos com sintomas de insônia utilizaram um dispositivo de estimulação elétrica craniana por 30 minutos, duas vezes ao dia, ao longo de duas semanas.

Os cientistas analisaram qualidade do sono, sintomas emocionais e atividade cerebral. Entre os participantes que usaram o aparelho ativo, foram observadas redução de sintomas depressivos, melhora no bem-estar físico e alterações positivas na atividade cerebral — indicativos de que a técnica pode auxiliar na regulação dos padrões ligados ao sono e ao relaxamento.

Pode ajudar em soluços persistentes?

O soluço ocorre por contrações involuntárias do diafragma, controladas pelo sistema nervoso. Em geral, o sintoma desaparece sozinho. No entanto, quando persiste por mais de 48 horas, pode afetar significativamente a qualidade de vida.

Casos prolongados podem provocar distúrbios do sono, perda de peso, fadiga e estresse psicológico. O tratamento costuma envolver medicamentos que atuam no sistema nervoso, mas nem todos os pacientes apresentam resposta satisfatória.

Por isso, a neuromodulação passou a ser analisada como alternativa complementar. Estudos de caso sugerem que a estimulação neural pode ajudar a regular os impulsos responsáveis pelas contrações involuntárias, reduzindo a frequência e a intensidade dos episódios, sobretudo quando são resistentes às terapias tradicionais.

Especialistas ressaltam que a neuromodulação não substitui abordagens convencionais, mas pode ser utilizada como reforço terapêutico. Entre os benefícios apontados em pesquisas estão melhora do sono, redução da ansiedade, alívio de sintomas depressivos e equilíbrio da atividade cerebral.

No caso de Bolsonaro, a defesa sustenta que a continuidade das sessões pode contribuir para controlar sintomas neurológicos e melhorar sua qualidade de vida, sobretudo diante do histórico recente de alterações nessa área.  

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