Cadastre-se e receba grátis as principais notícias do Correio.
Carol Neves
Publicado em 5 de fevereiro de 2026 às 08:20
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos tornou públicos mais de três milhões de registros ligados a Jeffrey Epstein, em um dos casos criminais mais controversos e chocantes recentes.>
Entre os materiais divulgados estão trocas de e-mails e mensagens envolvendo o empresário, condenado por comandar uma rede de tráfico sexual que reunia figuras influentes da elite norte-americana. Parte dos documentos liberados anteriormente já indicava menções ao Brasil em conversas de Epstein com contatos famosos, mas o novo lote de arquivos traz detalhes adicionais.>
Em mensagens trocadas pouco antes das eleições presidenciais de 2018 no Brasil, Epstein comentou sobre Jair Bolsonaro em diálogo com Steve Bannon, ex-estrategista do ex-presidente Donald Trump. Na conversa, o financista escreveu: “Bolsonaro mudou o jogo. Nenhum refugiado quer entrar. Bruxelas não lhe diz o que fazer. Ele só precisa reativar a economia. MASSIVO. PIB de 1,8 trilhões”.>
Veja fotos dos arquivos de Jeffrey Epstein
Bannon respondeu dizendo que mantinha proximidade com aliados do então candidato e que havia recebido convite para atuar como conselheiro: “Eu sou muito próximo desses caras, eles me querem como conselheiro. Devo fazer isso?”. Epstein então opinou: “Se você está confiante na vitória [de Bolsonaro], pode ser bom para sua marca se você fosse visto lá”.>
Em outra parte da conversa, Bannon afirmou que “tenho que manter essa coisa do Jair nos bastidores. Meu poder vem do fato de não ter ninguém para me defender.” Mesmo diante da relação descrita, Epstein demonstrou incômodo ao mencionar declarações públicas de Bolsonaro negando vínculos com Bannon. “Não gostei de Bolsonaro chamando qualquer associação com você de ‘fake news’, embora eu compreenda.”>
Outro diálogo revela que Epstein foi informado por mensagem de que Bolsonaro havia sido vítima de um atentado a faca durante a campanha eleitoral. Ao receber a notícia, respondeu de maneira curta. “Antes ele do que eu”.>
Documentos divulgados anteriormente já mostravam Epstein comentando a política brasileira, quando afirmou em e-mails que “Bolsonaro é o cara” e relatou ter participado de uma ligação com Luiz Inácio Lula da Silva, então preso, mediada por Noam Chomsky.>
Cerca de um ano após essas trocas de mensagens, Epstein foi encontrado morto na cela onde estava preso, em Nova York, em um caso oficialmente tratado como suicídio por enforcamento.>