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Gigante asiática pede falência no Brasil e deixa rombo de até R$ 1 bilhão

Posco Brasil admite crise, apresenta ativos irrisórios e enfrenta acusações de fraude após obra bilionária da CSP

  • Foto do(a) author(a) Carol Neves
  • Carol Neves

Publicado em 21 de janeiro de 2026 às 12:51

Posco, a gigante asiática, declarou falência no Brasil
Posco, a gigante asiática, declarou falência no Brasil Crédito: Reprodução

Sem sede ativa no país e alegando falta total de recursos para seguir operando, a Posco Engenharia e Construção do Brasil recorreu à Justiça do Ceará para declarar a própria falência. Na petição, a subsidiária da sul-coreana Posco afirma que não há qualquer perspectiva de recuperação financeira e que os ativos disponíveis são insuficientes para cobrir o endividamento.

“A decretação da falência da requerente é, portanto, medida que se mostra de rigor, uma vez que: 1) a empresa não possui mais atividade empresarial; e 2) não há qualquer perspectiva de solução do endividamento, diante da inexistência de novos recursos e da insuficiência de ativos”, diz o documento apresentado ao Judiciário.

O pedido de autofalência, protocolado em setembro de 2025 sob a justificativa de uma “crise insanável”, suspende ações de cobrança individuais e concentra todos os processos em um único juízo. A empresa reconhece oficialmente dívidas de R$ 644 milhões, sendo a maior parte de natureza trabalhista (R$ 573,5 milhões), além de débitos tributários (R$ 33,7 milhões), intercompany (R$ 26,6 milhões) e quirografários (R$ 10,4 milhões).

Companhias estão deixando de apenas acompanhar o mercado: começam a influenciar diretamente a direção que ele toma por Reprodução | Freepik

Esses números, porém, são alvo de contestação. Segundo a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) e o advogado Frederico Costa, o passivo tributário real pode ultrapassar R$ 200 milhões, o que indicaria subavaliação das cifras informadas à Justiça.

A indignação dos credores cresce diante da lista de bens apresentada pela construtora para tentar quitar um rombo que pode chegar a R$ 1 bilhão, conforme relatos de credores ao UOL. Consta no rol de ativos um terreno em São Gonçalo do Amarante (CE), avaliado em R$ 1,1 milhão, um Ford Fusion 2015/2016 sem funcionamento e com 11 multas, apenas R$ 109,80 em conta-corrente e R$ 4,8 mil em aplicações financeiras.

“A empresa pegou o dinheiro da obra, remeteu recursos para fora e deixou toda uma cadeia produtiva prejudicada. Empresas no Ceará fecharam por causa disso”, afirma Frederico Costa, sócio da Campelo Costa Sociedade de Advogados, que declara ter R$ 567 milhões a receber.

Criada exclusivamente para construir a usina da Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP), a Posco Brasil esteve à frente de uma das maiores obras privadas já realizadas no Ceará. O contrato somou US$ 5,5 bilhões — cerca de R$ 28 bilhões em valores atuais — e foi integralmente pago. Ainda assim, quando as atividades foram encerradas, em 2016, fornecedores, trabalhadores e o fisco ficaram sem receber.

Desde março de 2023, a CSP pertence à ArcelorMittal, que comprou o ativo por US$ 2,2 bilhões. O passivo deixado pela construtora responsável pela obra, no entanto, segue sem solução.

Credores sustentam que a autofalência faz parte de uma estratégia fraudulenta. A tese é que a Posco operava com um “único negócio” no Brasil e teria esvaziado deliberadamente seus ativos antes de deixar o país. Em primeira instância, a Justiça já acolheu a desconsideração da personalidade jurídica, permitindo que a cobrança alcance a matriz na Coreia do Sul e holdings do grupo em outros países.

A defesa, por sua vez, nega irregularidades. A administradora judicial Farias e Lucena Serviços Administrativos atribui a crise a fatores externos, como a recessão brasileira entre 2014 e 2016, a pandemia e a concorrência do aço chinês. Segundo a manifestação, a perícia inicial não identificou atos fraudulentos diretos por parte dos administradores, embora novas análises não estejam descartadas.

“As alterações do mercado, a ausência de novos contratos e a não implementação da segunda fase da CSP, que previa dobrar a capacidade instalada de produção de três milhões para seis milhões de toneladas anuais de placas de aço, tornaram inviável o prosseguimento da atividade empresarial”, afirma a petição.