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Wendel de Novais
Publicado em 13 de março de 2026 às 08:14
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes reconsiderou uma decisão anterior e decidiu impedir a visita de um assessor do governo dos Estados Unidos ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre pena de prisão. A mudança de posicionamento ocorreu após manifestação do Ministério das Relações Exteriores, que apontou risco de interferência externa em assuntos internos do país caso o encontro fosse autorizado. As informações são do g1. >
O pedido havia sido feito pela defesa de Bolsonaro para que Darren Beattie, assessor sênior do governo do presidente Donald Trump responsável por políticas relacionadas ao Brasil, pudesse visitar o ex-presidente na prisão. Segundo avaliação do Itamaraty, a reunião poderia "configurar indevida ingerência nos assuntos internos do Estado brasileiro". >
O órgão também destacou que não existia compromisso diplomático previamente formalizado envolvendo a visita do assessor ao país. Na nova decisão, Moraes citou o posicionamento da diplomacia brasileira e destacou que a visita não estava vinculada ao propósito diplomático que justificou a entrada do assessor no território nacional. >
Visitas políticas a Bolsonaro na prisão
"A realização da visita de Darren Beattie, requerida nestes autos pela Defesa de Jair Messias Bolsonaro, não está inserida no contexto diplomático que autorizou a concessão do visto e seu ingresso no território brasileiro, além de não ter sido comunicada, previamente, às autoridades diplomáticas brasileiras, o que, inclusive poderia ensejar a reanálise do visto concedido", diz Moraes na nova decisão. >
O pedido para a visita havia sido protocolado pela defesa do ex-presidente no dia 10 de março. Inicialmente, o ministro havia autorizado o encontro para o dia 18, em data diferente da solicitada pelos advogados. Posteriormente, a defesa recorreu da decisão e pediu que a visita ocorresse na segunda-feira (17), alegando que Beattie participaria naquele período de um evento sobre terras raras e minerais críticos realizado em São Paulo. >
Desde janeiro, Bolsonaro cumpre pena de 27 anos de prisão por envolvimento na tentativa de golpe registrada em 2022. Ele está detido no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, unidade conhecida como Papudinha. Como relator do processo no STF, Moraes é responsável por autorizar ou negar visitas ao ex-presidente durante o período de cumprimento da pena. >