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Wendel de Novais
Publicado em 5 de fevereiro de 2026 às 07:39
Desde a divulgação oficial das notas do Enem 2025, estudantes relataram uma queda inesperada no desempenho, principalmente na redação, o que levantou dúvidas sobre mudanças nos critérios de correção do exame. O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsável pela prova, nega qualquer alteração no modelo adotado desde o início. >
Segundo informações do G1, no entanto, documentos internos, mensagens eletrônicas e relatos de corretores apontam ao menos três ajustes implementados em 2025 que podem ter influenciado diretamente a avaliação dos textos. As mudanças atingem competências centrais da correção e tornaram a avaliação mais rigorosa. >
Uma das principais alterações ocorreu na competência 4, que analisa o uso de mecanismos de coesão textual, como conectivos e expressões que garantem a fluidez do texto. Até 2024, a avaliação seguia parâmetros mais objetivos, com contagem e verificação do uso adequado desses termos. >
Em 2025, esse modelo foi substituído por uma análise mais interpretativa, na qual os corretores passaram a classificar o emprego dos elementos coesivos como “pontual”, “regular”, “constante” ou “expressivo”, ampliando a margem de subjetividade na atribuição da nota. >
Documentos mostram mudanças nos critérios
Outra mudança relevante aparece na competência 5, que avalia a proposta de intervenção apresentada pelo candidato. A redação do Enem exige a presença de cinco elementos obrigatórios: ação, agente, finalidade, meio e detalhamento. Tradicionalmente, a ausência de qualquer um desses itens resultava em desconto de 40 pontos. >
No entanto, uma orientação adicional inserida em nota de rodapé em 2025 determinou uma penalização mais severa quando o candidato deixasse de explicitar o elemento “ação”. Nesses casos, a perda passou a ser de 120 pontos, mesmo que os demais componentes estivessem presentes. >
O peso do repertório sociocultural também foi ampliado. Citações genéricas ou desconectadas do tema deixaram de ser aceitas como válidas. O maior rigor dessa diretriz foi comunicado no Manual do Candidato, divulgado em setembro de 2025, dois meses antes da aplicação do exame, e passou a ser avaliado principalmente na competência 2. >
No entanto, um documento complementar, encaminhado aos corretores após os treinamentos presenciais, redefiniu a forma de análise desse critério. A orientação estabeleceu que a competência 2 deveria dialogar diretamente com a competência 3, o que, na prática, fez com que repertórios considerados inadequados passassem a gerar punição dupla. >
O Inep informou que não houve mudanças nos critérios de correção. O Ministério da Educação (MEC), por sua vez, garantiu ainda que cada redação é avaliada por, no mínimo, dois corretores independentes, com previsão de uma terceira análise em caso de divergência. >