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Carol Neves
Publicado em 15 de janeiro de 2026 às 12:41
Após reclamações formais da defesa e de familiares do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), a Polícia Federal passou a desligar, diariamente, a central de ar-condicionado instalada ao lado da cela onde ele está preso, em Brasília. A mudança começou nesta semana e ocorre sempre fora do horário de expediente do prédio. >
De acordo com a PF, o sistema de climatização é desligado às 19h30 e religado às 7h30 do dia seguinte, período em que a Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal funciona apenas em regime de plantão para ocorrências em flagrante.>
Jair Bolsonaro segue preso
A central de ar-condicionado havia se tornado foco de críticas por parte de Bolsonaro, de seus familiares e da equipe jurídica. Em entrevistas, o vereador Carlos Bolsonaro afirmou que havia um “ruído intenso, alto e constante”, que, segundo ele, causaria sofrimento psicológico e prejudicaria o sono e a alimentação do ex-presidente.>
No início deste mês, os advogados protocolaram uma petição no Supremo Tribunal Federal afirmando que a cela não assegura “condições mínimas de tranquilidade, repouso e preservação da saúde” de Bolsonaro. Segundo a defesa, o barulho era contínuo, ocorria ao longo das 24 horas e ultrapassava o mero desconforto, configurando uma perturbação constante à saúde e à integridade do ex-presidente.>
No pedido, os advogados solicitaram que a PF fosse oficiada para adotar providências técnicas, como adequação do equipamento, isolamento acústico, mudança de layout ou outra solução equivalente para o sistema de ar-condicionado.>
O ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinou prazo de cinco dias para que a Superintendência da PF prestasse esclarecimentos sobre as reclamações. Em resposta, a Polícia Federal reconheceu a existência do ruído, mas informou que não seria possível “eliminar” ou “reduzir” o barulho sem a realização de obras estruturais no prédio, o que comprometeria o funcionamento da unidade por vários dias.>
Investigadores ouvidos pela CNN Brasil relataram que o desligamento da central durante parte do dia foi a alternativa mais rápida para minimizar o problema sem afetar as atividades da Superintendência. Esses mesmos profissionais também relataram incômodo com a permanência de um custodiado em um espaço destinado a presos temporários, o que teria alterado a rotina de trabalho.>
Bolsonaro está preso desde 22 de novembro do ano passado, após ser condenado a 27 anos e três meses de prisão por cinco crimes. A defesa tenta a conversão da pena em prisão domiciliar, pedido que já foi negado anteriormente pelo STF.>