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Wendel de Novais
Publicado em 13 de março de 2026 às 08:55
Encontrar um policial militar de barba no Brasil é algo incomum. Na maior parte dos estados, os regulamentos das corporações proíbem o uso, exigindo que os agentes mantenham o rosto barbeado quando estão uniformizados. A imagem do "militar padrão", com cabelo curto, barba feita e farda bem apresentada, está ligada à própria estrutura militar das polícias. >
Mais do que uma questão estética, a regra envolve princípios como disciplina, hierarquia e padronização da tropa. Em alguns casos, o descumprimento pode gerar punições disciplinares. Um levantamento realizado pelo portal g1 junto às Secretarias de Segurança Pública de todos os estados e do Distrito Federal mostra que a proibição é a norma na maior parte do país. >
Polícia Militar em ação
O uso da barba costuma ser permitido apenas em situações excepcionais, como problemas de saúde comprovados por laudo médico. De forma geral, as corporações apontam razões institucionais semelhantes para justificar a regra. Entre os principais argumentos está a necessidade de manter a aparência uniforme entre os policiais, reforçando a identidade visual e a organização da tropa. >
Acre, Amazonas, Bahia, Distrito Federal, Goiás, Paraíba, Paraná, Rio Grande do Norte, Rondônia e Santa Catarina não enviaram as informações sobre as normas. Entre os estados que responderam, Outro ponto citado é a própria natureza militar das PMs, que seguem princípios tradicionais das Forças Armadas. Nesse contexto, normas sobre aparência fazem parte do conjunto de regras. >
Algumas corporações também mencionam critérios de higiene e apresentação pessoal. Em alguns estados, a justificativa também se baseia na legislação interna: o policial militar só pode adotar condutas previstas nos regulamentos. Quando a norma determina que o agente deve estar barbeado, o uso de barba não é permitido por não haver autorização legal. >
Quando a barba é permitida? >
Apesar da regra geral, alguns regulamentos preveem exceções. A mais comum é a autorização por motivo médico. Em determinadas situações, o barbear diário pode causar irritações, inflamações ou foliculite — infecção no folículo piloso, local onde nascem os pelos. Nesses casos, o policial pode apresentar laudo ou prescrição médica e solicitar autorização temporária para manter a barba. >
A liberação, porém, costuma ter prazo determinado e precisa ser renovada após nova avaliação médica. O objetivo é evitar o agravamento de problemas dermatológicos, e não permitir o uso da barba por motivo estético. Há também casos específicos em que o uso pode ser autorizado por necessidade do serviço. >
A Polícia Militar do Rio de Janeiro informou que policiais "lotados em áreas de serviço reservado de inteligência” podem usar barba quando atuam em atividades que exigem disfarce ou trabalho à paisana. >
As corporações destacam que qualquer exceção depende sempre do que está previsto nos regulamentos internos, que incluem normas de uniformes, apresentação pessoal e códigos disciplinares. >