Cadastre-se e receba grátis as principais notícias do Correio.
Wendel de Novais
Publicado em 30 de janeiro de 2026 às 07:58
A corretora Daiane Alves Souza, de 43 anos, morta pelo síndico do condomínio onde morava, procurou a Justiça semanas antes do crime e afirmou temer pela própria vida. Em um e-mail encaminhado ao 2º Juizado Especial Cível e Criminal de Caldas Novas, em Goiás, Daiane descreveu uma série de ameaças, ofensas e ataques que atribuía a Maicon Douglas de Oliveira, filho do síndico do prédio onde ela trabalhava, Cleber Rosa de Oliveira. Ambos são investigados pela morte da corretora. >
No documento, obtido pelo g1, Daiane afirmou que vinha sofrendo danos morais e materiais, além de ser alvo constante de ofensas de cunho misógino. Segundo o relato, as agressões verbais tinham como pano de fundo uma disputa profissional: Maicon também atuava como corretor e, conforme a vítima, buscava afastá-la para concentrar sozinho as locações no edifício. >
“Tenho medo e receio de minha própria vida”, escreveu Daiane no e-mail enviado ao Judiciário, ao solicitar medidas cautelares, entre elas o afastamento dos investigados e a restrição do uso de seu nome em qualquer tipo de divulgação ligada ao caso. A corretora destacou o impacto psicológico das ameaças e pediu providências urgentes. >
Síndico foi preso por morte de corretora
Ainda de acordo com o conteúdo do documento, parte dos ataques ocorreu por meio das redes sociais. Daiane relatou que Maicon entrou em contato com ela pelo Instagram, utilizando mensagens ofensivas, humilhantes e depreciativas, que teriam provocado intenso abalo emocional. O comportamento, segundo a vítima, era marcado por violência psicológica reiterada e misoginia. >
As mensagens também continham comentários preconceituosos sobre a idade e a situação financeira da corretora. Em um dos trechos anexados ao pedido judicial, Daiane afirma ter sido alvo de etarismo, sendo mencionada de forma desrespeitosa e chamada de “feto inútil”, expressão registrada no documento encaminhado ao juizado. >
Diante da gravidade dos fatos, a corretora solicitou à Justiça o deferimento de tutela provisória de urgência, citando crimes contra sua honra e dignidade, além do pedido de indenização por danos morais. >
Cronologia do crime >
Segundo a TV Anhanguera, o corpo de Daiane foi abandonado pelo síndico a cerca de 15 quilômetros de Caldas Novas e encontrado em estado de ossada. À polícia, Cleber afirmou que agiu sozinho e relatou que discutiu com a corretora no subsolo do prédio, quando ela desceu para religar o padrão de energia, dizendo que a discussão foi intensa e terminou no crime. >
Daiane foi vista pela última vez em 17 de dezembro de 2025. Imagens de câmeras de segurança mostram a corretora entrando no elevador do prédio, passando pela portaria para conversar com o recepcionista e, em seguida, retornando à cabine. Depois, ela desceu ao subsolo do condomínio e não voltou a ser vista. >
Natural de Uberlândia (MG), Daiane morava em Caldas Novas havia cerca de dois anos e administrava apartamentos da família no local. Na noite do desaparecimento, ela enviou um vídeo a uma amiga relatando que a energia elétrica do apartamento havia sido desligada. >
"Era normal aqui a gente passar por esse tipo de problema [falta de energia] então, a gente já se prevenia gravando o que estivesse acontecendo", contou a mãe dela, Nilse, ao explicar o motivo da gravação. >
No vídeo, Daiane mostra o quadro de luz do andar e testa o interruptor, comprovando que o imóvel estava sem energia. A gravação continua enquanto ela entra no elevador, antes de passar pela recepção. >
Às 18h57, ainda filmando, Daiane entra no elevador e encontra um homem, a quem explica que desceria ao subsolo para tentar restabelecer a energia. >
"Todas as minhas contas estão pagas, então não tem motivo da minha energia ter sido rompida". Ela também afirma acreditar que alguém poderia estar "brincando de desligar" o disjuntor. >
Os dois saem do elevador às 18h58. Dois minutos depois, a corretora retorna sozinha à cabine e, em seguida, desce novamente ao subsolo. Desde então, ela não foi mais vista, até a localização do corpo confirmada nesta quarta-feira pela Polícia Civil. >