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Nauan Sacramento
Publicado em 9 de março de 2026 às 19:08
Uma tendência digital que circula no TikTok, intitulada “treinando caso ela diga não”, tornou-se alvo de duras críticas e mobilização institucional na última semana. A prática consiste em vídeos nos quais criadores simulam pedidos de namoro ou casamento e, diante de uma rejeição fictícia, reagem com violência, incluindo socos em objetos, encenações de luta e uso de facas. >
Devido à gravidade do conteúdo, que atinge predominantemente o público jovem, foi apresentado um requerimento à Procuradoria-Geral da República (PGR) para que o material seja investigado. A Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados tem previsão de votar, nesta terça-feira (10), o pedido de apuração oficial sobre o caso.>
A viralização da trend ocorre em um momento em que o Brasil enfrenta índices alarmantes de feminicídio. Em 2025, o país registrou um recorde histórico com 1.470 mulheres mortas, superando as 1.464 ocorrências de 2024. A média nacional atingiu a marca de quatro mulheres assassinadas por dia.>
O conteúdo atraiu a atenção de figuras da internet, como a historiadora e criadora de conteúdo soteropolitana Yara Damasceno, que denunciou o influenciador baiano Lipe Daily por um vídeo publicado em 2024. Após a repercussão negativa, o influenciador alegou, em contato direto com a historiadora, que o conteúdo foi um "mal-entendido" e que não teve o intuito de ferir terceiros.>
Damasceno, contudo, rebateu as justificativas, afirmando que o influenciador minimizou a denúncia. “Ele disse que eu tirei do contexto, que era brincadeira e que eu queria crescer em cima dele”, relatou em vídeo nas redes sociais, ressaltando o agravante simbólico de tal postura ter ocorrido próximo ao Dia Internacional da Mulher.>
Recentemente, um caso no Rio de Janeiro ilustrou a gravidade da falta de aceitação à rejeição, quando uma jovem de 20 anos foi esfaqueada mais de 15 vezes por um homem que não aceitou o fim de uma investida amorosa.>
Nas redes sociais, o público divide opiniões. Enquanto os criadores dos vídeos minimizam as críticas alegando tratar-se apenas de "entretenimento", usuários utilizaram os comentários para denunciar que a violência contra a mulher não deve ser objeto de piada, classificando o comportamento como "preocupante" e "perigoso".>