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Pedro Carreiro
Publicado em 16 de fevereiro de 2026 às 21:44
Carnaval e jovialidade parecem caminhar juntos quando o assunto é Bell Marques. Mesmo após enfrentar um atraso significativo no percurso do último domingo (15), o cantor voltou a arrastar uma multidão no circuito Dodô (Barra-Ondina) nesta segunda-feira (16), no segundo dia de desfile do bloco Camaleão. Aos 73 anos, Bell manteve a vitalidade que o transformou em um dos maiores — para muitos, o maior — ícones do Carnaval de Salvador. >
O atraso registrado na véspera ocorreu por conta de um problema no trio do Olodum, o que estendeu o percurso — normalmente concluído em pouco mais de quatro horas ao longo dos cerca de 4,5 quilômetros do circuito — para aproximadamente sete horas.>
Nesta segunda-feira (16), mais uma polêmica, desta vez, relacionada ao horário de saída. Integrantes do tradicional afoxé Filhos de Gandhy cobraram publicamente a saída do bloco Camaleão. Quando subiu no trio, o cantor evitou rebater as críticas. “Somos um dos blocos que menos atrasa”, disse antes de animar o público com “Voa, voa”.>
Uma das foliãs que não escondia a felicidade de estar no Camaleão era a enfermeira Patrícia Nogueira. "Eu sou apaixonada por ele. Reservei minhas férias para viajar e curtir ele. Já é a quinta vez que venho, a primeira foi em 2014, no primeiro ano de Camaleão“, contou a mineira de 42 anos.>
Apesar das polêmicas e do desgaste acumulado, Bell não deixou a animação cair e puxou trio pelo circuito Dodô com sucessos de diferentes fases da carreira, desde clássicos mais antigos, como "Diga Que Valeu”, “Vumbora Amar” e “Amor Perfeito", até sucessos mais recentes como “Coração Grandão (Se Você Tá com Bell)” e “Que Calor É Esse”, hit que usa para interagir com público jogando água no público.>
Entre os foliões, a resistência demonstrada pelo cantor diante do atraso de ontem virou tema recorrente. Ricardo Menezes, de 55 anos, destacou a disposição do artista mesmo após horas extras de desfile. “Atrasou ontem e foi mais cansativo pra ele, é claro, mas Bell é diferente, o cara é uma lenda. Qualquer outro artista com a idade dele tava em casa descansando. Mas ele segura até o fim, sempre brincando e rindo, parece que tem energia infinita”, afirmou.>
Presente desde a abertura do Carnaval, o cantor se apresentou na quinta-feira (12) com o Bloco de Quinta e, na sexta-feira (13) e no sábado (14), comandou o Vumbora, sempre no circuito Barra-Ondina. No domingo (15), fez a primeira saída do Camaleão em 2026, retornando nesta segunda-feira e consolidando participação contínua ao longo de todos os dias de festa.>
Criado em 1986 e com Bell no comando desde 2014, o Camaleão completa 40 anos de história em 2026 e segue como um dos blocos mais disputados do Carnaval soteropolitano. Em homenagem às quatro décadas, os foliões vestiram uma releitura da primeira mortalha do bloco, assinada originalmente por Pedrinho da Rocha, com cores e elementos que remetem ao modelo de estreia da década de 1980.>
Depois de cinco dias seguidos puxando trio, Bell conclui sua maratona neste Carnaval na terça-feira (17), mais uma vez à frente do Camaleão no último dia de folia, reafirmando uma trajetória marcada por fôlego, constância e conexão direta com gerações de foliões.>
O projeto Correio Folia é uma realização do Jornal Correio com apoio institucional da Prefeitura Municipal de Salvador.>