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Maria Raquel Brito
Publicado em 2 de fevereiro de 2026 às 05:00
Curtir o maior Carnaval de rua do mundo é um compromisso inegociável para muita gente. A duas semanas do início da folia, os valores dos blocos e camarotes em Salvador já movimentam as conversas entre os foliões. Com preços que vão do “dá pra encarar” ao “só parcelando”, curtir a festa com abadá nos circuitos ou com os serviços exclusivos dos camarotes virou um investimento. Este ano, um dia de folia na capital baiana pode passar de R$ 4 mil, mostra um levantamento feito pelo CORREIO. >
A pesquisa levou em conta os serviços disponíveis em três das maiores plataformas da folia baiana: Central do Carnaval, Quero Abadá e Folia Bahia – entre blocos e camarotes. Nas três, o mais em conta é o bloco UAU - Chá da Alice, comandado por Mari Antunes, que sai na quinta-feira no circuito Barra-Ondina com abadás a R$ 240. O serviço mais caro, por sua vez, é a entrada masculina do Camarote Salvador no sábado de Carnaval, que custa R$ 4.235. >
De acordo com Jamile Nery, diretora da vendedora de ingressos para blocos e camarotes Central do Carnaval, em 2026 a empresa atingiu o maior projeto desde que começou a atuar, há duas décadas. São 22 blocos e 16 camarotes no catálogo este ano, e as vendas cresceram 10% em relação ao mesmo período de 2025. >
“Tradicionalmente iniciamos as vendas de alguns produtos para o Carnaval do ano seguinte ainda durante o Carnaval anterior. Temos uma venda forte neste período de lançamento, mas, claro, nada se compara aos últimos dias antes da folia, que é quando a maioria das pessoas decide comprar ou quem comprou antecipadamente decide acrescentar mais alguns dias ao seu Carnaval”, diz.>
Em relação aos preços, houve este ano um leve aumento em quase todas as atrações, nas três empresas. Rodrigo Magalhães, diretor do Folia Bahia, calcula um reajuste médio em torno de 5%, devido “à inflação e ao aumento dos custos de produção, estrutura e contratação artística”.>
Segundo ele, as experiências proporcionadas pelos blocos e camarotes do Carnaval de Salvador fazem os preços valerem a pena, mesmo com os aumentos. Nos camarotes, por exemplo, é comum encontrar serviços como salão de beleza e massoterapia, além dos tradicionais shows exclusivos. >
“O modelo da festa, a energia do público e a vivência coletiva tornam o evento único e comparável a grandes experiências da vida, como um show de artista internacional e a emoção de assistir a um jogo do seu país na Copa do Mundo, por exemplo. A diferença é que, no Carnaval de Salvador, o consumidor não tem só direito ao acesso como nos demais eventos, e sim uma estrutura completa com bebida e alimentação de qualidade incluída no preço”, defende. >
As mudanças, tanto nos preços como nas vendas, também foram registradas pelo Quero Abadá. A plataforma trabalha com 18 blocos e 11 camarotes, que variam de R$ 250 a R$ 4 mil. De acordo com Vitor Villas Bôas, diretor da empresa, as vendas cresceram 20% em relação a 2025, mesmo com um aumento médio de 10% nos preços. >
“Já existe uma procura logo após o Carnaval anterior, mas o crescimento maior é nos 30 dias que antecedem a folia”, conta. Em relação ao público, ele afirma que 80% é formado por turistas, sendo 75% do Brasil e 5% de fora. >
Entre os clientes do Folia Bahia, Rodrigo Magalhães percebe um equilíbrio maior, com 50% dos compradores locais e 50% turistas. Os blocos seguem essa tendência, com alguns sendo os queridinhos do público baiano e outros sendo as opções preferidas de quem vem de fora. >
Na primeira categoria, se enquadram blocos como Frenesi e Timbalada, além dos estreantes Bloco da Segunda e Bloco da Torcida. Na segunda, estão Me Abraça, Largadinho, Coruja e Eva. >
Além dos blocos e camarotes, a pipoca é outra opção clássica da folia soteropolitana. A festa fora das cordas é geralmente a pedida para quem quer curtir com mais economia. Com a consolidação do circuito Barra-Ondina há alguns anos, até aconteceu um esvaziamento dos blocos por conta da pipoca. Nos últimos três anos, porém, vem acontecendo um movimento inverso: o crescimento do número de blocos e da procura por eles. >
É o que avalia Rodrigo Magalhães. “Exemplos disso são o fortalecimento do Bloco Frenesi, o retorno do Bloco Internacionais, dois dias de Xanddy na Barra e, em 2026, uma grade do Folia Bahia com 18 blocos, o que reforça a vitalidade desse modelo”, diz.>
Veja preços de blocos do Carnaval de Salvador
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